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A mensagem foi divulgada pela televisão Arrai na Síria, único meio de comunicação a receber mensagens de Kadhafi. "Não festejem nem acreditem que um regime foi derrubado e que outro o substituiu graças aos bombardeios aéreos e marítimos", disse o ditador, cujo paradeiro é desconhecido. "É difícil derrubar este regime que representa milhões de líbios", acrescentou.
"Todas as tribos líbias fizeram a Otan saber que ninguém representa o povo libio", insistiu. "O único poder legítimo é o do povo e o dos comitês populares e qualquer outro é nulo e ilegítimo", afirmou. "Não exerço mais o poder desde 1977, quando o entreguei ao povo, marcando assim a criação da República das Massas", assegurou o ex-líder, foragido desde a tomada do quartel general de Trípoli, no dia 23 de agosto.
Captura de general fiel a Kadhafi
No entanto, segundo um membro das forças do novo regime líbio, um importante general leal a Kadhafi foi capturado na segunda-feira no sul do país e os combatentes partidários do CNT haviam conquistado a cidade de Sebha, no sul desértico, bastião da tribo do ex-dirigente. "O general Belgacem al-Abaaj, chefe dos serviços de inteligência do regime de Kadhafi na região de Al-Khofra, foi capturado", indicou Mohamed Wardugu, representante da "Brigada do Escudo do Deserto", em Benghazi (leste).
O general Al-Abaaj, procurado pelas forças do novo regime líbio, "estava no comando de operações de sabotagem dos poços de petróleo", indicou Wardugu, irmão do comandante da brigada, Barka Wardugu. Além disso, as forças do novo regime entraram na cidade de Sebha. "Tomaram o aeroporto, a cidadela e o quartel Fares", assegurou ele, acrescentando que os combates seguiam em alguns bairros, após a fuga de mais de 300 mercenários de Kadhafi.
Wardugu fez "um apelo urgente a França, Grã-Bretanha, Estados Unidos, a todos os países ocidentais, aos países árabes e às organizações humanitárias para que ajudem a população desta região que vive há meses sem eletricidade, água potável, medicamentos e alimentos".
Os moradores do sul do país pertencem essencialmente à etnia tubu, que representa de 3 a 4% da população líbia.
Wargudu também protestou contra o fato de que o possível novo governo transitório não incluirá um representante tubu. "Vivemos oprimidos há 42 anos e não aceitaremos ser marginalizados na Nova Líbia", afirmou.
Reunião em Nova Iorque
Em Nova Iorque, um dos temas que serão abordados na reunião relativa à Líbia são "as necessidades em matéria de reconstrução", tal como as expressadas pelo CNT, indicou o chanceler francês Alain Juppé, assim como "a reafirmação do apoio da comunidade internacional à Nova Líbia", declarou o ministro das Relações Exteriores francês. Também serão discutidos temas políticos, depois que o CNT adiou a designação de um governo transitório no domingo, por não ter chegado a um acordo sobre sua composição.