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A atitude do regime Kadhafi, segundo a matéria do New York Times, evidencia o clientelismo político e a cultura de corrupção endêmica na Líbia e que se acentuaram em 2004, quando os Estados Unidos retomaram suas relações comerciais com Trípoli. Esta reabertura comercial fez com que as multinacionais se lançassem avidamente à exploração das reservas petrolíferas líbias.
Os empresários americanos, ansiosos por fazer negócios nesta região do norte da África, foram manipulados por Kadhafi e seus filhos, que, segundo a matéria, obtiveram uma quantia que totaliza vários milhares de milhões. É esta soma que permite a Kadhafi manter-se no poder, apesar da rebelião do povo líbio contra o regime e os ataques aéreos da coalizão ocidental contra as forças fieis ao líder líbio. "A Líbia é uma cleptocracia, na qual o regime (seja a família de Kadhafi ou seus aliados) tem interesses diretos em tudo que possua valor", afirma o departamento de Estado, citado pelo jornal americano.
Os interesses empresariais também ganharam um novo fôlego na Líbia em 2008, quando Trípoli admitiu sua responsabilidade no atentado de Lockerbie. O New York Times afirma que uma dúzia de empresas americanas, entre as quais Boeing, Raytheon, ConocoPhilips, Occidental, Caterpillar e Halliburton, procuraram imediatamente se estabelecer na Líbia. Algumas companhias relacionadas neste método de extorsão pagaram uma verdadeira fortuna. A Occidental Petroleum repassou um bilhão de dólares à Líbia como parte de um contrato de 30 anos.
Juan Zarate, ex-alto assessor da Casa Branca na administração de George W. Bush, afirmou que Washington fez "um acordo com o demônio" quando retomou o comércio com a Líbia. "A esperança era de que, com a normalização, Kadhafi agisse menos como o cão louco do Oriente Médio e fosse mais parceiro", afirmou ao Times.
Em 21 de dezembro de 1988, foi realizado um atentado terrorista contra o voo da Pan Am que explodiu sobre a cidade escocesa de Lockerbie, matando 270 pessoas.
Visualizar Mundo Árabe em crise em um mapa maior. | Arte: Jonathas Costa