Leia mais sobre os confrontos na Líbia
Os rebeldes, por sua vez, consolidaram seu controle sobre mais uma área fundamental para a indústria petrolífera da Líbia. Eles atacaram Ras Lanouf e expulsaram da cidade as tropas leais a Kadafi que, nos dias anteriores, haviam investido contra Brega ao leste. Houve explosões, segundo residentes da área. Ao menos dois mortos e 16 feridos foram levados para um hospital próximo. Outro morador afirmou que 11 rebeldes morreram nos enfrentamentos. Segundo os insurgentes, "todas as tropas leais a Kadhafi" fugiram para Sirte, a oeste.
Em Zawiyah, situada perto da capital Trípoli, as forças de Kadhafi retomaram parte da cidade após um ataque que deixou ao menos 30 mortos. No principal reduto da oposição, Benghazi, 17 pessoas morreram na explosão de um depósito de armamentos e munição. Os rebeldes afirmam que o incidente foi causado por bombardeios do ditador, mas não estão claros os motivos. Um médico disse que a explosão atingiu também uma área residencial da cidade, a segunda maior do país.
Poucas cidades permanecem sob controle do ditador, mas a capital Trípoli segue sob seu governo. Nesta sexta, os manifestantes foram recebidos com bombas de gás lacrimogêneo pelas forças de segurança. Cerca de 1,5 mil pessoas protestavam no distrito de Tajoura. Segundo testemunhas, tiros também foram ouvidos no local. Os manifestantes, que saíam das mesquitas após as orações pediam a renúncia do líder da Líbia, cantando "o povo quer derrubar o regime".
Os confrontos na Líbia completam 18 dias na sexta-feira. Kadhafi se recusa a negociar com os manifestantes e resiste às pressões internacionais para deixar o poder - EUA, União Europeia e o Conselho de Segurança da ONU já aplicaram sanções contra ele, que governa a Líbia há 41 anos.
Apesar da repressão violenta contra a própria população, o regime de Kadhafi pediu nesta sexta-feira que o Conselho de Segurança da ONU suspenda as sanções adotadas contra o país. A carta afirma que apenas "uma quantia módica" de força foi utilizada contra os manifestantes da oposição, e que o governo foi "surpreendido" com as sanções ordenadas na última semana.
O regime pediu que a proibição de viajar e o congelamento dos bens contra Kadhafi e sua comitiva "sejam suspensos até o momento em que a verdade seja estabelecida". A carta de 2 de março, enviada ao Conselho de Segurança da ONU por Musa Mohammed Kusa, chefe do Comitê Popular da Líbia para Relações Exteriores, foi a primeira reação oficial comunicada à ONU.