"Quando votam uma lei que aumenta as despesas, devem dizer de onde vem a receita", afirmou a presidente sobre o custo anual de 33 bilhões de pesos (8,25 bilhões de dólares) que a medida provocaria. A lei estipula que as pensões mínimas dos aposentados sejam equivalentes a 82% do salário base dos trabalhadores da ativa.
O chefe de gabinete, Aníbal Fernández, disse que a intenção da oposição é atribuir ao governo o custo político do veto, a um ano das eleições presidenciais. O aumento da pensão mínima para 82% do valor dos salários dos ativos, que beneficiaria 4 milhões de aposentados, é uma antiga reivindicação do setor.
Apesar de heterogênea, a oposição conseguiu sua primeira vitória importante no Congresso desde que passou a ser maioria, depois de derrotar o governo nas eleições legislativas de 2009. O senador da oposição, Alfredo Martínez, comemorou a votação, considerando que a lei "é de absoluta justiça para os aposentados". "Não vamos descapitalizar o Tesouro quando até o fim do ano teremos um superávit de 40 bilhões de pesos (10 bilhões de dólares). Assim, pode-se tomar este montante para pagá-lo", disse Martínez em resposta ao governo.
O vice-presidente argentino, que também ocupa a presidência do Senado, Julio Cobos, desempatou a votação a favor da oposição, e foi chamado de "traidor" pelos governistas. Apontado como um dos possíveis candidatos da oposição para as eleições gerais de 2011, Cobos afirmou que não renunciará à vice-presidência e continuará "agindo da mesma forma", apesar das críticas do governo.