A líder opositora peruana Keiko Fujimori foi detida nesta quarta-feira, acusada de receber dinheiro da empreiteira Odebrecht. A prisão ocorre uma semana depois de a Justiça anular o indulto de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori. A filha mais velha de Fujimori (1990-2000) foi detida por um período máximo de 10 dias após depor à Procuradoria, assinalou a sua advogada Giuliana Loza, que chamou a decisão judicial de “atropelo e abuso”.
“Hoje me detiveram sem fundamentos jurídicos no momento em que eu voluntariamente me apresentava à Procuradoria”, tuitou Keiko Fujimori em sua primeira reação desde a detenção, onde qualificou o ocorrido de “perseguição política”. “A perseguição se disfarçou de justiça no nosso país”, acrescentou. Ela recordou que a Justiça a investiga há 18 anos, quando seu pai deixou a presidência.
A Justiça acusa Keiko, de 43 anos, de ter recebido da empreiteira 1,2 milhão de dólares para financiar a sua campanha para a presidência em 2011, vencida por seu adversário Ollanta Humala – também assinalado por ter recebido contribuições da Odebrecht.
A “medida é ditada por elementos fundados de convicção que relacionam os anteriormente citados com o delito de lavagem de dinheiro, perigo de fuga e obstaculização da investigação pelas supostas contribuições da empresa Odebrecht à campanha do Força Popular em 2011”, tuitou o Poder Judiciário em sua conta.
Minutos depois, seu irmão mais novo, Kenji, adversário dentro do fujimorismo, se solidarizou com a sua irmã pelo Twitter. “utro momento triste e duro em uma semana. Duro para a família. Acabei de saber da notícia, estive ao lado da minha mãe e depois com o meu pai. Lamento profundamente a situação vivida pela minha irmã e sua família”, tuitou Kenji.
A advogada havia assinalado que Keiko se colocou à disposição da Procuradoria, assinalando que a medida ordenada pelo juiz Richard Concepción Carhuancho pegou-os de surpresa. A líder opositora ficou detida na Prefeitura de Lima.
Além da líder do partido Força Popular (direita populista, principal força opositora que controla o Congresso peruano), outras 19 pessoas, entre elas Jaime Yoshiyama e Augusto Bedoya – ambos muito próximos aos Fujimori –, são investigadas por supostamente receberem fundos da empreiteira Odebrecht para a campanha presidencial de Keiko em 2011.
A porta-voz do Força Popular e congressista Alejandra Aramayo lamentou em conversa com a rádio RPP “que a Justiça continue politizada, ainda mais quando (Keiko) estava participando de uma diligência pelo caso dos coquetéis destinados a coletar dinheiro para a sua campanha à presidência”.
O procurador responsável por casos de lavagem de dinheiro, José Domingo Pérez, atribuiu a Keiko o comando de uma “organização criminosa” dentro do seu partido para receber contribuições ilícitas.
Um dos efeitos da detenção será que “aumentará ainda mais o confronto entre o poder executivo e o Congresso”, advertiu a analista María Luisa Puig, da consultoria de risco político Eurasia. Apesar disso, relativizou, ao afirmar ser “pouco provável que um confronto maior afete o presidente Martín Vizcarra e suas reformas, que já foram aprovadas no Congresso, ainda que com algumas mudanças, e provavelmente se ratificarão em um referendo em dezembro”.
Líder da oposição, Keiko Fujimori é detida no Peru
Filha de Fujimori foi acusada de receber contribuições ilegais para campanha de 2011