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Líder de buscas por jovens desaparecidos no México é encontrado morto

Miguel Ángel Jiménez Blanco teria sido morto pelo crime organizado

Miguel Ángel Jiménez Blanco teria sido morto pelo crime organizado
Miguel Ángel Jiménez Blanco teria sido morto pelo crime organizado Foto : Pedro Pardo / AFP / CP
A imprensa mexicana repercute nesta segunda a morte de Miguel Ángel Jiménez Blanco, um dos principais ativistas na busca pela verdade sobre o desaparecimento dos 43 jovens da Escola Rural Ayotznapa, estado de Guerrero, sudoeste do México. O corpo foi encontrado dentro do táxi, que ele possuía, na noite de sábado, perto de Acapulco, também em Guerrero.

Segundo a promotoria local, Jiménez teria sido morto pelo crime organizado. Ele era um policial comunitário na região e exercia pressão junto as autoridades para saber o paradeiro dos estudantes que desapareceram em setembro do ano passado. O caso ficou mundialmente conhecido e as investigações da Procuradoria-Geral da República confirmaram o envolvimento do governo do estado de Guerrero com os grupos criminosos e narcotraficantes que atuam na região.

Apesar da fama e de as investigações terem afirmado que os estudantes foram mortos, ainda não houve esclarecimento sobre os autores e sobre onde os corpos teriam sido enterrados. Jiménez fundou em 2013, uma polícia comunitária, chamada de Xaltianguis, uma espécie de grupo de autodefesa, que buscava proteger a população do crime organizado, de maneira independente, à margem da polícia oficial. O grupo também investigava de maneira paralela.

As entidades e organizações civis que trabalham em defesa dos direitos humanos lamentaram a morte do líder. Javier Monroy, fundador do grupo Tadeco Organismo Civil, uma Organização não governamental que concentra informações sobre desaparecidos em Guerrero, disse à Agência Brasil que Jiménez estava "aproximando-se da verdade" e que isso lhe custou a vida.

A imprensa local já havia noticiado que em suas investigações paralelas, Jiménez teria descoberto possíveis locais onde os corpos dos estudantes poderiam ter sido deixados. A policia comunitária de Xaltianguis procurava pistas de este e outros casos de pessoas desaparecidas.

Segundo informações da imprensa local, mais de 120 corpos foram encontrados pelo grupo liderado por Jiménez e entregues às autoridades. Ele havia se tornado popular no estado, vitimado pela violência e com alta impunidade, um problema recorrente não só em Guerrero, mas no país. De acordo com números oficiais e da Anistia Internacional, o México tem mais de 20 mil pessoas desaparecidas.