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Líder do Hezbollah morto por Israel era considerado o homem mais poderoso do Líbano

Hassan Nasrallah vivia escondido desde a última guerra entre Israel e o movimento islamista em 2006

Para os seguidores xiitas, Hassan Nasrallah era objeto de um grande culto de personalidade
Para os seguidores xiitas, Hassan Nasrallah era objeto de um grande culto de personalidade Foto : ATTA KENARE / AFP

O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, considerado o homem mais poderoso do Líbano, vivia escondido desde a última guerra entre Israel e o movimento islamista em 2006. Mas na sexta-feira o Exército israelense o localizou e ele morreu em um bombardeio.

O Hezbollah confirmou neste sábado a morte de seu secretário-geral em um ataque israelense contra o subúrbio sul de Beirute, reduto do movimento pró-Irã.

Nasrallah, assassinado aos 64 anos, fez poucas aparições públicas desde a guerra entre seu movimento e o Exército israelense em meados de 2006. O local de sua residência sempre foi um segredo.

Apesar da clandestinidade, o líder da influente milícia xiita recebia visitantes, incluindo os líderes de grupos palestinos aliados de seu movimento, que publicaram fotos dos encontros.

Os jornalistas e personalidades que o encontraram afirmaram que foram levados pelo Hezbollah, em veículos de segurança e com medidas de segurança reforçadas, para um local difícil de identificar.

Nasrallah discursava com frequência e seus pronunciamentos, transmitidos ao vivo, eram acompanhados com atenção no Líbano, pois era considerado o homem mais poderoso do país. À frente do Hezbollah, ele decidia sobre a guerra ou a paz.

Para os seguidores xiitas, ele era objeto de um grande culto de personalidade, mas sua influência afetava as esferas política e sua morte pode ter consequências para toda a região.

"Nasrallah era um dos maiores inimigos de todos os tempos do Estado de Israel. Sua eliminação torna o mundo um lugar mais seguro", afirmou o porta-voz do Exército israelense, Daniel Hagari.

Segundo um comunicado militar israelense, Ali Karaki, apresentado como o comandante da frente sul do Hezbollah, e outros dirigentes do movimento morreram ao lado de Nasrallah na operação que recebeu o nome "Nova Ordem".

Uma fonte próxima ao Hezbollah confirmou a morte de Karaki.

O general Abbas Nilforoushan, da Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, também morreu no ataque, informou a agência oficial iraniana IRNA.

Uma força política

Nasrallah era o líder do Hezbollah desde 1992, quando sucedeu Abbas Musawi, morto por Israel.

Ao assumir o comando, ele levou o Hezbollah, o "Partido de Deus", de uma milícia armada ao status de força política mais poderosa do Líbano, com representação no Parlamento e no governo.

Ao mesmo tempo, desenvolveu o arsenal do movimento que, segundo ele afirmava, tem 100 mil combatentes e dispõe de armas potentes, incluindo mísseis de alta precisão.

O Hezbollah é o único grupo que manteve suas armas ao final da guerra do Líbano (1975-1990), utilizando como argumento a "resistência contra Israel", cujo Exército se retirou gradualmente do país até abandonar a região sul em maio de 2000, após 22 anos de ocupação.

Ao longo dos confrontos entre seus homens e o Exército israelense, Nasrallah estabeleceu a posição como líder e a consolidou em 1997, após a morte em combate de seu filho mais velho, Hadi.

O conflito de 2006 com Israel, que durou 33 dias, permitiu que exibisse a força do seu movimento, com os seus combatentes enfrentando o Exército israelense.

A guerra provocou a morte de 1.200 libaneses, a maioria civis, e de 160 israelenses, a maioria militares.

Ao final da guerra, Nasrallah proclamou uma "vitória divina" e virou um herói no mundo árabe.

Mas no Líbano ele foi criticado por vários setores quando o movimento foi acusado de envolvimento no assassinato do ex-primeiro-ministro Rafic Hariri em 2005, e depois quando homens armados do Hezbollah assumiram brevemente o controle da capital em maio de 2008.

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Família modesta

Nasrallah sempre usava túnicas clericais e um turbante preto, característico dos Sayed, os descendentes do profeta Maomé com os quais se identificava. À frente do Hezbollah, ele conseguiu ter uma influência no Líbano e em toda a região.

Em 2013, ele anunciou que determinou uma intervenção militar na Síria para apoiar o regime de Bashar al-Assad, encurralado na guerra civil que explodiu após a repressão de uma revolta popular em 2011 que resultou em uma insurreição armada.

Por desfrutar da total confiança dos líderes iranianos, ele formou e apoiou movimentos próximos a Teerã na região.

O Hezbollah é atualmente a "joia da coroa" dos aliados do Irã na região, reunidos em um "eixo da resistência" que inclui grupos armados no Iraque, os rebeldes huthis do Iêmen e o movimento islamista palestino Hamas.

Hassan Nasrallah nasceu em 31 de agosto de 1960 em uma família modesta de nove filhos, no antigo "cinturão de miséria" que cercava Beirute.

Sua família é originária da cidade de Bazouriyeh, no sul do Líbano.

Ele estudou Teologia na cidade sagrada xiita de Najaf, no Iraque, mas teve que deixar o país durante a onda de repressão aos xiitas determinada pelo então presidente iraquiano Saddam Hussein.

No retorno ao Líbano, ele se uniu ao movimento xiita Amal, mas deixou o grupo durante a invasão israelense do Líbano de 1982 para integrar o núcleo fundador do Hezbollah, criado com o incentivo da Guarda Revolucionária iraniana.

Casado e pai de cinco filhos, ele falava farsi de maneira fluente.