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Laços com Rússia atingem seu pior nível, afirma Trump

Declaração ocorreu um dia após governo sancionar um novo pacote de sanções

Laços com Rússia atingem seu pior nível, afirma Trump
Laços com Rússia atingem seu pior nível, afirma Trump Foto : Jim Watson / AFP / CP
O presidente americano, Donald Trump, advertiu nesta quinta-feira que as relações entre Washington e Moscou estão em um nível perigosamente baixo, um dia depois de sancionar um novo pacote de sanções chamado de "guerra econômica" pelo governo russo.

"Nossa relação com a Rússia está em um piso histórico muito perigoso", tuitou o presidente.  O pacote sancionado por Trump foi aprovado pelo Congresso na semana passada. "Você pode agradecer ao Congresso, o mesmo pessoal que não consegue nem nos dar a reforma de saúde!", acrescentou, referindo-se à recente derrota no Senado em sua tentativa de revogar e substituir o chamado Obamacare.

Logo depois de sancionar a lei, Trump divulgou uma nota oficial, considerando a iniciativa "seriamente defeituosa" por incluir restrições à capacidade do Poder Executivo de negociar com outros países. A nova lei - que também inclui medidas contra Coreia do Norte e Irã - afeta, sobretudo, o setor energético da Rússia, dando a Washington a possibilidade de sancionar empresas envolvidas no desenvolvimento de oleodutos nesse país.

"Guerra econômica"

Moscou reagiu com irritação às sanções, considerando que é uma lei "perigosa que pode minar a estabilidade" no mundo, e não descartou "outras medidas de retaliação". No fim de semana, o governo russo já havia determinado uma redução do corpo diplomático dos Estados Unidos em 755 funcionários.

Em um "post" publicado no Facebook na quarta-feira à noite, o primeiro-ministro russo, Dimitri Medvedev, afirmou que as medidas americanas equivalem a "uma guerra econômica aberta" e que o presidente Trump demonstrou "uma fraqueza total".

Para Medvedev, o Congresso submeteu Trump a uma situação "humilhante", ao deixar a Casa Branca com uma limitada margem de manobra nesse tema. Desde seu início, em janeiro deste ano, a gestão do magnata republicano tem sido assombrada por denúncias de que sua equipe de campanha agiu em conluio com a Rússia na disputa eleitoral de 2016.

A escalada de sanções à Rússia começou com o antecessor de Trump. Em dezembro de 2015, o então presidente Barack Obama ordenou o fechamento de dois complexos de férias do pessoal diplomático russo em território americano. Também determinou que vários funcionários deixassem o país.

Na época, as sanções impostas por Obama foram uma resposta às denúncias formuladas por órgãos da Inteligência americana sobre a participação russa na invasão aos e-mails do Partido Democrata durante a corrida pela Casa Branca.
Em 2014, o governo Obama já havia aplicado sanções por conta da intervenção russa na Ucrânia.

Empenho para melhorar diálogo

Desde sua chegada à Casa Branca, Trump tenta melhorar as relações com a Rússia, e os dois países têm-se empenhado em manter um canal concentrado nas ações militares na Síria para evitar confrontos diretos.

Trump teve dois encontros com seu colega Vladimir Putin em paralelo à cúpula do G20 na Alemanha, no início de julho. Na ocasião, ambos buscaram dissipar tensões e melhorar o diálogo bilateral. O esforço parece ter ido por água abaixo com o mais recente pacote de sanções.

Na terça-feira, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, advertiu que as relações entre os dois países podem piorar. Até a União Europeia manifestou sua preocupação com os efeitos do pacote de sanções contra a Rússia.