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Londres inaugura o prédio mais alto da Europa

Shard poderá abrigar 12 mil pessoas em seus 310 metros de altura

Doze anos após o lançamento do projeto, o edifício Shard foi inaugurado com grande festa
Doze anos após o lançamento do projeto, o edifício Shard foi inaugurado com grande festa Foto : Andrew Cowie/AFP/CP
Doze anos após o lançamento do projeto, o edifício Shard foi inaugurado com grande festa nesta quinta-feira, em Londres. A construção é oficialmente o mais alto arranha-céu da Europa, com 310 metros. Como planejado, o novo "ícone" da cidade está pronto a tempo para os Jogos Olímpicos, que se iniciam no final de julho em Londres.

Cerca de 2 milhões de visitantes avistaram de diversos pontos da cidade a torre iluminada na Olimpíada. De silhueta esguia e com 95 andares, seu observatório oferece ao público uma vista panorâmica de 360°, que promete se tornar uma das atrações turísticas de Londres. "Assim como o Empire State Building em Nova Iorque", acrescenta Irvine Sellar, presidente da Sellar Property, o desenvolvedor.

O primeiro-ministro do Catar, Hamad Bin Jassim Bin Jaber Al Tami, cujo país financiou a construção, e o príncipe Andrew presidiram a cerimônia oficial, marcada por um espetacular balé noturno de lasers e luzes sobre os principais monumentos históricos da capital, ao som da Orquestra Filarmônica de Londres. Assinado pelo arquiteto italiano Renzo Piano, autor do contestado Centro Pompidou em Paris, o Shard está localizado ao sul do Tâmisa, cujas margens foram submetidas a projetos de renovação em todas as direções.

Esta é uma "pequena cidade vertical" para 12 mil pessoas, definiu o criador. O prédio funciona como hotel cinco estrelas e possuí restaurantes de luxo, além de 600 mil metros quadrados de escritórios e lojas. Mas quem desejar viver ali deverá ter uma conta bancária sólida, porque os dez apartamentos com uma vista deslumbrante localizados entre o 53º e 65º andares, os mais altos do mercado britânico, serão vendidos por entre 30 e 50 milhões de libras.

O Shard é "uma metáfora perfeita da Londres de hoje", que "torna-se cada vez mais desigual e perigosamente dependente de investidores que buscam um lucro rápido", resumiu recentemente o The Guardian: "É caro, não conhece limites e está essencialmente nas mãos do capital estrangeiro".  A torre, que reflete o céu de Londres caprichosamente em suas facetas de vidro, começou a ser construída em 2009, crescendo como um cogumelo. Mas a gestação deste projeto de 450 milhões de libras foi lenta, principalmente diante da necessidade de ultrapassar a crise financeira.

O Qatar, proprietário de muitos edifícios de prestígio na capital, para não falar da famosa loja Harrods, finalmente chegou para resgatar a construção em 2009, tornando-se o acionista majoritário (95%). O "Skyline" de Londres já possui muitos arranha-céus, como o Gherkin, e outros cinco estão em construção. O que vale à cidade uma reputação de ousadia arquitetônica em comparação com capitais como Paris, onde a altura é limitada.

Mas sua construção gerou protestos de defensores do patrimônio, incluindo a associação English Heritage, que o acusa de "estar no lugar errado" e de prejudicar a vista protegidas da Catedral de St. Paul ou do Parlamento.
Até mesmo a Unesco se envolveu, dizendo que a construção interferia na "integridade visual" da Torre de Londres, inscrita no Patrimônio Mundial. Uma polêmica que o jornalista do Observer resumiu nestas palavras: O Shard "é elegante, está no lugar errado, é uma destas torres que o mundo inveja, é uma fortaleza para os mais ricos. É um ícone de Londres: na verdade, é um pouco de tudo de uma só vez".



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