Mundo

Lula afirma que não falará com Milei até que argentino peça desculpas por “falar bobagem”

Presidente brasileiro não detalhou as declarações do colega

Lula diz que negocia cumprimento de pena de foragidos do 8 de janeiro na Argentina
Lula diz que negocia cumprimento de pena de foragidos do 8 de janeiro na Argentina Foto : JL Rosa / AFP / CP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (26), que não falará com seu colega argentino Javier Milei até que peça desculpas a ele e ao Brasil pela "bobagem" que disse.

"Eu não conversei com o presidente da Argentina porque acho que ele tem que pedir desculpas ao Brasil e a mim. Ele falou muita bobagem e só quero que ele peça desculpas", disse Lula em uma entrevista ao Uol. O chefe de Estado brasileiro não especificou a quais declarações se referia, mas, Milei chamou Lula de "corrupto" e "comunista" durante a campanha eleitoral que o consagrou como presidente da Argentina.

O presidente também afirmou que não será o ultraliberal argentino que vai criar uma "cizânia" entre os países vizinhos, membros do Mercosul e importantes parceiros comerciais.

Milei é próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), a quem convidou para sua cerimônia de posse um dia depois de sua vitória eleitoral. Embora tenha havido tentativas de aproximação com o governo Lula, o mandatário brasileiro não compareceu à cerimônia em Buenos Aires.

As distâncias foram mantidas entre os dois chefes de Estado, inclusive na cúpula do G7 na Itália este mês. Embora a imprensa tenha especulado sobre um possível encontro entre Milei e Lula em Bari, o Itamaraty afirmou que "não houve pedido" de reunião bilateral.

Em março, Lula disse que a extrema direita ameaça a democracia no mundo e deu como exemplo o caso do seu homólogo argentino. "Quem é contra o sistema, que critica tudo, é o Milei na Argentina", lançou.

Foragidos do 8 de janeiro na Argentina

Lula afirmou que o governo brasileiro está negociando com a gestão de Javier Milei para que os foragidos dos atentados golpistas de 8 de janeiro de 2023 cumpram pena na Argentina, caso não queiram retornar ao Brasil. O petista afirmou que a gestão federal está tratando do assunto da forma "mais diplomática possível".

De acordo com o chefe do Executivo brasileiro, os ministros da Justiça, Ricardo Lewandowski, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira, além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, estão tratando do assunto com o governo argentino. "Eles estão discutindo para ver o seguinte: se os caras condenados pelos atentados do 8 de janeiro não quiserem vir, que eles sejam presos lá e fiquem presos na Argentina, senão, venham para cá", declarou o petista. "Nós estamos tratando da forma mais diplomática possível."

Na semana passada, o governo Javier Milei repassou ao Itamaraty uma lista com dados de brasileiros condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro que ingressaram no país vizinho e são considerados foragidos da Justiça. Os investigadores no Brasil tentam descobrir o paradeiro de 143 condenados por participação na tentativa de golpe.

Por meio de cooperação via adido, a Polícia Federal havia obtido informações de que ao menos 47 réus já condenados ou com mandado de prisão em aberto de fato fugiram para a Argentina e fizeram pedidos de refúgio ao chegar no país vizinho.

Na entrevista, Lula afirmou que ainda não conversou com Milei desde sua eleição em novembro do ano passado e só abrirá o diálogo com um pedido de desculpas. "Acho que ele tem que pedir desculpas ao Brasil e a mim. Ele falou muita bobagem. Só quero que ele peça desculpas", cobrou o petista.

Apesar da falta de contato, o brasileiro minimizou que isso possa impactar na relação entre ambos os países. "A Argentina é um país que eu gosto muito e é um país muito importante para o Brasil e o Brasil é muito importante para a Argentina. Não é um presidente da República que vai criar uma cisão. O povo argentino e brasileiro é maior (sic) que os seus presidentes. E eles querem viver bem, viver em paz", disse.

Veja Também