O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Nova Délhi nesta quarta-feira (18) para uma série de reuniões bilaterais com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. Acompanhado por mais de 10 ministros e uma comitiva empresarial, o foco da visita é ampliar o comércio com a nação mais populosa do mundo e firmar parcerias em setores de alta tecnologia, como inteligência artificial (IA) e minerais críticos.
Agenda global: IA, terras raras e desinformação
Nesta quinta-feira, Lula participa de uma cúpula global sobre inteligência artificial, onde defenderá a regulamentação internacional para conter a desinformação gerada por IA. No campo econômico, o Brasil se posiciona como uma alternativa estratégica no mercado de terras raras, atualmente dominado pela China.
O encontro oficial com Modi, marcado para sábado, revisará a cooperação bilateral em defesa e infraestrutura, consolidando acordos recentes como o firmado entre a Embraer e o grupo indiano Adani.
Fortalecimento do BRICS e resistência às tarifas de Trump
As negociações entre os membros do BRICS — cuja presidência foi transmitida do Brasil para a Índia este ano — devem focar na instabilidade econômica causada pelas políticas tarifárias do presidente americano, Donald Trump. Em 2025, ambos os países foram afetados por sobretaxas dos EUA, levando os líderes a reforçar a defesa do multilateralismo.
Embora Washington tenha sinalizado reduções tarifárias para produtos indianos em fevereiro, o Brasil ainda busca consolidar a Índia como um mercado prioritário para exportações de algodão, soja e minerais.
Relação bilateral em expansão
Com um fluxo comercial que superou os US$ 12 bilhões (R$ 62 bilhões) em 2024, o Brasil é o principal parceiro comercial da Índia na América Latina. Esta viagem retribui a visita histórica de Modi a Brasília em 2025 e busca explorar o potencial de uma economia que caminha para ser a quarta maior do mundo.
O Itamaraty considera o mercado indiano fundamental para diversificar as exportações brasileiras e fortalecer a voz do Sul Global nas decisões econômicas internacionais.