No texto vazado, o então embaixador americano em Lima, James Curtis Struble, refere-se a uma reunião entre Lula e Garcia, que pouco antes havia derrotado no segundo turno Ollanta Humala, um ex-comandante do Exército, líder do Partido Nacionalista, de esquerda. O encontro teria sido presenciado por Pablo Portugal, funcionário da chancelaria peruana, que enviou correspondência a Washington.
Segundo o diplomata peruano, Lula estimou na ocasião que o triunfo de García constituiu "um revés necessário para o presidente Chávez", trazendo a necessidade de "restaurar o equilíbrio regional" perante a influência do governante venezuelano. Por isso Lula felicitou o eleito García por sua vitória, afirmando que ambos são "velhos amigos" que compartilham "a mesma visão sobre a política de integração econômica, social e regional", segundo as declarações de Portugal divulgadas na correspondência americana.
Nas eleições peruanas de 2006, Chávez apoiou abertamente o candidato Humala e este respaldo foi qualificado por García e por diversos setores políticos como uma intromissão do presidente venezuelano em assuntos internos do Peru.
Humala é atualmente candidato às eleições presidenciais de 10 de abril e está em quarto lugar nas intenções de voto dos peruanos, em um total de onze candidatos a suceder Alan García. Nesta campanha eleitoral, Humala se distanciou de Chávez e agora se aproximou do PT, com quem se reuniu na última semana no Brasil.