Mundo

Lula rejeita enviar soldados e critica exclusão da Ucrânia de negociações

Presidente afirmou que foco brasileiro será em missão de paz

Lula fez críticas ao lado do premiêr de Portugal
Lula fez críticas ao lado do premiêr de Portugal Foto : Ricardo Stuckert / PR / Divulgação CP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou ontem a possibilidade de o Brasil enviar militares para a manutenção de um eventual acordo de paz para encerrar a guerra na Ucrânia. Lula também criticou a exclusão de europeus e ucranianos dos diálogos diretos com a Rússia, conduzidos pelos EUA.

O envolvimento de forças militares do Brasil e da China, segundo a revista Economist, foi sugerido pela diplomacia dos EUA, em conversas reservadas com líderes europeus. França e Reino Unido exploraram a possibilidade com outros países. Milhares de soldados internacionais seriam deslocados para a linha de contato, no campo de batalha, a fim de criar uma zona-tampão entre soldados russos e ucranianos.

'O Brasil não enviará tropas. O Brasil só mandará missão de paz. Para negociar a paz, o Brasil está disposto a fazer qualquer coisa e não mudará de posição. Quando os dois quiserem sentar para conversar, estaremos na mesa de negociação. Fora isso, o Brasil continuará daqui, a muitos quilômetros de distância longe de Rússia e Ucrânia, defendendo a paz', afirmou Lula, ao lado do premiê de Portugal, Luís Montenegro, no Palácio do Planalto.

Questionado por jornalistas, o premiê português também rechaçou envolvimento direto de forças do país e afirmou que ainda não era hora de discutir como a operação de paz seria conduzida no campo de batalha.

Montenegro e Lula defenderam que o diálogo sobre a paz deve envolver, obrigatoriamente, os dois lados em guerra - Rússia e Ucrânia -, assim como a Europa. O português reiterou a defesa da integridade territorial ucraniana. 'É a melhor maneira de projetar a paz para os próximos anos', disse o premiê.

Lula também voltou a dizer que a guerra poderia ter sido encerrada por meio de uma consulta direta à população dos territórios invadidos pela Rússia. No ano passado, o petista foi criticado por sugerir um referendo nos territórios ocupados - a tese dele era que a votação determinaria se o povo gostaria de ser integrado à Rússia ou permanecer parte da Ucrânia. A proposta foi vista como forma de legitimar uma anexação pela força.