A Praça do Mercado da Cracóvia permanece isolada neste domingo, e muitas pessoas foram ao local prestar homenagem às seis vítimas fatais do pior ataque a tiros registrado no país desde a queda do comunismo. O autor, um polonês de 24 anos que, segundo as autoridades, é "fascinado por ideologias de extrema direita", abriu fogo em plena luz do dia neste local emblemático, muito frequentado por turistas e moradores.
Cracóvia, antiga capital do país, é a segunda cidade mais populosa da Polônia e seu principal cartão-postal turístico, tendo recebido 16,5 milhões de visitantes no ano passado. O primeiro-ministro, Donald Tusk, classificou o ataque como "terrorismo", mas a polícia ainda não indicou qual teria sido a motivação do autor.
Na manhã deste domingo, o local do ataque, normalmente muito movimentado, encontrava-se isolado, e várias pessoas aproximaram-se para deixar velas, observaram jornalistas da AFP. Enquanto isso, a polícia revistava as bolsas de funcionários de restaurantes e cafés situados na praça. O Ministério Público nacional anunciou a abertura de uma investigação por terrorismo.
Moradores chocados com a violência
"Estou absolutamente arrasada", declarou à AFP Weronika Filar, uma moradora da Cracóvia de 27 anos. "Este é um dos lugares mais seguros da Terra, de verdade... eu não esperava que algo assim pudesse acontecer conosco", afirmou, acrescentando: "Nossa cidade nunca mais será a mesma".
Entre os seis mortos, há um britânico e uma austríaca; entre os 15 feridos, cinco são estrangeiros: do Reino Unido, Portugal, Rússia, Alemanha e Áustria.
Investigação revela mais detalhes
Após o ocorrido, os investigadores encontraram três corpos na casa do suspeito, cerca de 150 km a nordeste da Cracóvia. Segundo a polícia, trata-se de seus pais (de 53 e 52 anos) e de sua irmã (de 21).
Os agentes dispararam contra o agressor, que foi baleado e hospitalizado, informou a polícia. Atualmente, ele se encontra em estado crítico. Dois agentes ficaram feridos ao tentar deter o suspeito, antes de dispararem contra ele. Um policial está em estado grave, porém estável, informou o Ministério do Interior, citado pela agência PAP.
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Armas encontradas e motivação desconhecida
Os fatos ocorreram por volta das 15h (horário local; 11h em Brasília), quando o homem, que agiu sozinho, entrou com um veículo na praça e começou a atirar "aleatoriamente", informou a polícia. O agressor - identificado pela imprensa como Michal O. - vestia roupas militares e portava uma arma longa.
Em seu automóvel, a polícia encontrou outras armas de fogo, disse no sábado o ministro do Interior, Marcin Kierwinski. Segundo a polícia regional informou nas redes sociais, os corpos de seus pais e de sua irmã, encontrados em sua casa, apresentavam "ferimentos", provavelmente causados por "disparos de arma de fogo".
"Na residência, foram apreendidas sete armas de fogo", acrescentou a força policial, detalhando que a operação envolveu a "unidade antiterrorismo da polícia, peritos forenses e um promotor". De acordo com os investigadores, citados pela mídia polonesa, Michal O. não tinha antecedentes criminais. Ele era membro de um clube de tiro, do qual seu pai também fazia parte.
Em uma mensagem dirigida ao arcebispo da cidade, Grzegorz Rys, o papa Leão XIV afirmou sentir-se "profundamente entristecido" pelas mortes e pelos feridos causados pelo ataque e expressou seu apoio a todas as pessoas afetadas pela tragédia.