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Macri afasta chefe da agência Audiovisual, leal a Cristina Kirchner

Forte aparato de segurança cercou prédio onde diretor Sabatella afirma que defenderá direitos até o final

Forte aparato de segurança cercou prédio onde diretor Sabatella afirma que defenderá direitos até o final
Forte aparato de segurança cercou prédio onde diretor Sabatella afirma que defenderá direitos até o final Foto : Eitan Abramovich/AFP/CP
O presidente argentino, Mauricio Macri, afastou, nesta quarta-feira, o chefe da agência Audiovisual do Estado, leal à ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), em um nova demonstração da profunda divisão política no país. O ministro das Comunicações, Oscar Aguad, disse que foram alvo de intervenção a Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (AFSCA) e a Autoridade Federal de Tecnologias da Informação e de Comunicações (AFTIC) porque "ambos os organismos e suas autoridades não respondem à nova estrutura orgânica da Lei de Ministérios".

O objetivo do novo governo de direita liberal é unir AFSCA e AFTIC, mas o mesmo considera "em rebeldia" funcionários kirchneristas, entre eles Martin Sabbatella, diretor afastado do órgão regulador audiovisual, peça-chave do kirchnerismo na queda de braço com o grupo de mídia Clarín pela polêmica Lei de Meios "Vou esperar a decisão da Justiça. Venho trabalhar todos os dias e vou continuar fazendo isto. Aqui há um conflito e pedimos ao poder judiciário que resolva isto", afirmou Sabbatella aos jornalistas diante da sede da AFCSA. Sabbatella foi o rosto do kirchnerismo no confronto com o Clarín, após a negativa da poderosa companhia em se desprender de sua rede de rádios, canais e sistemas de TV a cabo

No lugar de Sabatella, Macri nomeou Agustín Garzón, militante do partido governista Proposta Republicana (PRO, direita) e advogado da Universidade Católica Argentina (UCA), a maior privada do país e de onde são provenientes vários funcionários do novo governo que assumiu em 10 de dezembro.

"Ele toma decisões sem se ater às políticas do governo. Está em rebeldia", afirmou em uma coletiva de imprensa o ministro de Telecomunicações, Oscar Aguad, sobre Sabbatella, ao justificar a decisão de Macri. "Queremos aplicar a lei de maneira objetiva, imparcial e que todos tenham os mesmos direitos. Nós não pretendemos nomear funcionários que perdurem no tempo", disse o ministro.

Em reação, Sabbatella denunciou na porta da entidade, cercado de partidários, que "este governo (de Macri) foi eleito democraticamente, mas tem surtos de governo de fato". "Vamos pedir ao poder judicial que coloque um freio em toda esta loucura", advertiu.

Enquanto o anúncio oficial era feito, uma forte operação policial foi mobilizada em torno da sede da agência, onde se concentravam dirigentes e partidários da ex-presidente. Aguad explicou que o governo ordenou este dispositivo de segurança especial diante da possibilidade de distúrbios.

Centenas de kirchneristas de aproximaram da sede da AFSCA em sinal de "resistência e apoio" a Sabbatella, que apresentou um recurso contra o decreto e avisou que continuará em suas funções até que exista uma decisão judicial sobre a validade da medida. Ele se disse disposto a resistir, amparado na Lei de Meios, que lhe confere um mandato até 2017.