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Macri caminha para vencer legislativas argentinas de meio mandato

Pesquisas apontam uma vantagem ao macrismo como primeira força nacional

Macri caminha para vencer legislativas argentinas de meio mandato
Macri caminha para vencer legislativas argentinas de meio mandato Foto : Juan Mabromata / AFP / CP
A coalizão no poder na Argentina, Cambiemos, caminha para uma vitória neste domingo nas eleições legislativas de meio mandato do presidente Mauricio Macri, que liderou a campanha oficialista para aprofundar suas reformas econômicas e sociais liberais e pró-mercado. As pesquisas apontam uma vantagem ao macrismo como primeira força nacional.

A principal candidata da oposição é Cristina Kirchner (2007-2015), que concorre ao Senado pela Unidad Ciudadana (peronistas de centro-esquerda) na província estratégica de Buenos Aires, que concentra quase 40% dos 33,1 milhões de eleitores. Kirchner aspira a um assento no Senado com o argumento de "colocar um freio" sobre Macri em sua política de ajustes tarifários, financiamento do déficit fiscal com dívida e flexibilização das leis trabalhistas.

O presidente, por sua vez, pediu que o país "não retorne ao passado" de um "populismo que alterou a cabeça do povo".

Polarização

A mãe de todas as batalhas será travada na província de Buenos Aires. "Existe uma intensificação da polarização em relação às primárias de agosto", aponta o cientista político Facundo Nejamkis, da Opina Argentina. Em agosto, Kirchner prevaleceu na província por uma pequena margem, mas o macrismo foi o mais votado a nível federal.

No distrito de Buenos Aires, do tamanho da Itália, Kirchner enfrenta Esteban Bullrich, um político pouco carismático. Os eleitores renovarão metade da Câmara dos Deputados de 254 assentos e um terço do Senado de 72 assentos. Cambiemos é uma aliança de partidos de direita, centro-direita e social-democratas da histórica União Cívica Radical.

Macri, sem uma maioria parlamentar, conseguiu adotar leis por meio de acordos com peronistas inimigos de Kirchner e governadores cujas finanças dependem dos fundos do governo federal. O primeiro ano do presidente foi marcado por uma grande queda de popularidade, de quase 30%. A economia caiu 2,3%.

Mas a atividade econômica passou a crescer, a 1,6% no primeiro semestre. Os indicadores positivos ainda não alcançaram àqueles da primeira década do século, sob os governos kirchneristas, mas Macri diz confiar na reinserção do país no cenário mundial. O presidente argentino é apoiado pelos Estados Unidos, União Europeia e órgãos internacionais de crédito.

Na última semana, a campanha eleitoral teve que ser suspensa em razão da descoberta do cadáver de um ativista que apoiava os indígenas mapuches desaparecido há 78 dias após a repressão policial na Patagônia. O caso comoveu o país, mas parece não ter sido suficiente para alterar as tendências da votação.

Macri é engenheiro de uma família rica, dona de um verdadeiro império empresarial. Seu trampolim para a política foi o clube Boca Juniors, cuja presidência exerceu favorecido por numerosos títulos locais e internacionais. Kirchner, por outro lado, é uma ex-militante dos setores combativos do peronismo na dura década dos anos 70. Voltou-se ao campo moderado com o retorno democrático. A ex-presidente foi acusada por supostos casos de corrupção, que ela nega e acusa "uma perseguição" destruí-la. Macri também foi denunciado pelo escândalo "Panama Papers", mas a justiça rapidamente o absolveu.