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Macri cancela condecoração concedida a Maduro por Cristina Kirchner

Colar da Ordem do Libertador San Martín é a maior distinção argentina para estrangeiros

Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte, que vai atuar por dois anos com poderes ilimitados
Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte, que vai atuar por dois anos com poderes ilimitados Foto : Ronaldo Schemidt / AFP / CP
O presidente da Argentina, Mauricio Macri, retirou por meio de um decreto uma condecoração concedida em 2013 a seu colega da Venezuela, Nicolás Maduro, pela então chefe de Estado Cristina Kirchner, entre outros motivos por desrespeitar os direitos humanos e a ordem democrática.

Maduro recebeu de Kirchner (2007-2015) o Colar da Ordem do Libertador San Martín, a maior distinção argentina para estrangeiros que "mereçam em alto grau a honra e o reconhecimento da República". O decreto do ministério das Relações Exteriores, publicado no Diário Oficial de sexta-feira e com a assinatura de Macri, cancela o direito de Maduro a usar o Colar, "por atos incompatíveis com a dignidade da Ordem", segundo o texto.

Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte, que vai atuar por dois anos com poderes ilimitados, prometendo uma solução para a grave crise política e econômica do país, cenário de uma onda de protestos desde abril, com um balanço de 125 mortos. A decisão do governo da Argentina, entre outras causas, é atribuída ao fato de Maduro "ter promovido o uso injustificável de instrumento militar e da justiça militar para reprimir protestos e processar opositores", afirma o Diário.

Também indica que "demonstrou carecer dos valores 'san-martinianos' de respeito à liberdade e aos povos da América Latina". Leva em consideração ainda que o presidente venezuelano "não mostrou a vontade nem a capacidade de garantir a plena vigência dos direitos humanos, dos princípios da ordem democrática e do respeito às liberdades
individuais". Também o responsabiliza pelo "agravamento da crise política, social e humanitária que atravessa seu país" de acordo com o decreto.

A Venezuela foi suspensa no sábado do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) por "ruptura da ordem democrática". A Argentina reiterou a posição na terça-feira, ao assinar ao lado de outros 11 países americanos um comunicado que não reconhece a Constituinte e seus atos.