O presidente francês, Emmanuel Macron, denunciou nesta quinta-feira (22) "atos sediciosos" de grupos de extrema esquerda, os quais acusa de querer "derrubar a República". A declaração veio após os atos violentos e saques cometidos durante as manifestações contra o alto custo de vida.
Várias cidades francesas foram palco de confrontos e saques quando jovens mascarados tomaram as ruas no último fim de semana.
"Tivemos, ao mesmo tempo, atos políticos e até mesmo sediciosos, realizados por grupos organizados de extrema esquerda cujo objetivo é derrubar a República", afirmou Macron ao final de uma reunião no Palácio do Eliseu com os serviços de inteligência. Estes foram acusados de não terem previsto a magnitude da mobilização de sábado.
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Após os atos violentos, as autoridades determinaram um toque de recolher por três noites em áreas de várias cidades, como Paris e Lyon, a terceira maior do País. A revolta abalou o governo a poucos meses das eleições presidenciais de abril e maio.
Eleições e protestos futuros
Nestas eleições, Macron não pode concorrer e a ultradireitista Marine Le Pen aparece como favorita, segundo as pesquisas. Os organizadores das manifestações, o movimento dos "coletes amarelos" e os sindicatos, preveem mais protestos em nível nacional para sábado, além de uma greve geral e manifestações em 5 de novembro.
Neste fim de semana, o governo mobilizará veículos blindados e unidades de elite da polícia e da gendarmeria. Também será acionada a missão Sentinelle, composta por militares que, habitualmente, ficam encarregados de vigiar locais movimentados e monumentos. O nível de mobilização das forças de segurança no sábado será "20% superior" ao da semana passada, segundo o Ministério do Interior.
Proibições e destruição
As autoridades de algumas cidades, como Lyon, Rouen e Toulon, proibiram os protestos de sábado, uma decisão considerada "liberticida" pela oposição. O objetivo é evitar que se repitam cenas como as ocorridas no último sábado. Uma grande parte da Prefeitura de Limoges, um edifício inaugurado em 1883, foi destruída pelas chamas durante a mobilização de 17 de outubro.
Segundo o Ministério Público, há, por ora, dois detidos em relação a esses episódios; um deles tem 66 anos. Além disso, centenas de estabelecimentos comerciais foram saqueados em diversas cidades do País.