Em entrevista a jornais europeus publicada nesta terça-feira (10), o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que as ameaças comerciais e as intimidações dos Estados Unidos permanecem ativas, apesar de acordos recentes. Macron criticou o que chamou de "alívio covarde" dos governantes europeus após o pico da crise tarifária com Donald Trump, alertando que novos impostos sobre setores como o farmacêutico surgirão semanalmente.
Para o líder francês, ceder a agressões comerciais é uma estratégia falha que apenas aumenta a dependência estratégica da Europa. Alemanha e França já se posicionaram para negociar com os EUA após anúncios de tarifas.
"Quando saímos do pico da crise, quando foi negociado um acordo para as tarifas, houve uma espécie de alívio covarde. Mas não acreditem nem por um segundo que isso acabou", advertiu.
"Observem o que vai acontecer com as tarifas sobre os produtos farmacêuticos e tudo o que vai acontecer. Todos os dias, todas as semanas, haverá ameaças".
Protecionismo estratégico e mercado comum
Diante da semana de reuniões da União Europeia sobre competitividade e indústria, Macron defendeu a simplificação e o aprofundamento do mercado interno. O presidente propôs uma "preferência europeia" em setores estratégicos — como defesa, automóveis, aço, química e tecnologias limpas — para evitar que a indústria do bloco seja varrida pela concorrência global.
O objetivo é proteger a produção regional sem recorrer a um protecionismo isolacionista, mantendo a diversificação de parcerias comerciais.
Críticas ao Mercosul e diplomacia com a Rússia
Macron reiterou sua oposição firme ao acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, classificando-o como um tratado "antigo, ruim e mal negociado". Ele defende que novos acordos devem ser justos e incluir salvaguardas climáticas rigorosas. A França tem reiterado sua intenção de bloquear o acordo UE-Mercosul.
No campo geopolítico, o presidente francês manifestou o desejo de retomar o diálogo com Vladimir Putin, desde que de forma coordenada entre os europeus. Embora contatos técnicos recentes em Moscou tenham reconstruído canais de comunicação, Macron afirmou que a Rússia ainda não demonstra interesse real na paz na Ucrânia. No passado, Macron chegou a apresentar propostas para a paz na Ucrânia.