Em um discurso televisionado para tentar encontrar uma saída para a crise dos "coletes amarelos", o chefe de Estado enumerou várias medidas, entre elas o aumento do salário mínimo em cem euros mensais sem custo para o empregador, a isenção para os aposentados com renda inferior a 2 mil euros de um recente aumento de impostos e o pagamento de horas extras "sem impostos, nem encargos" a partir de 2019.
O salário mínimo mensal na França é de 1.498 euros brutos e 1.344 euros líquidos. "Minha única preocupação são vocês, minha única luta é por vocês", disse Macron durante quase 13 minutos de discurso no Palácio Presidencial do Eliseu.
Macron também pediu às empresas "que puderem" que paguem a seus funcionários um bônus de fim de ano também isento de impostos e encargos sociais. "Queremos uma França onde se possa viver dignamente do trabalho. Peço ao governo e ao Parlamento para fazerem o necessário para isso", declarou Macron, antes de anunciar o aumento do salário mínimo.
O presidente admitiu que considerava "justa em muitos aspectos" a revolta dos manifestantes e que era consciente de ter "ferido" seus compatriotas com certas declarações durante protestos que ele atribuiu a "40 anos de mal-estar que ressurgem". No início de sua fala, Macron condenou a "violência inadmissível" registrada durante as manifestações iniciadas em novembro e assegurou que "esta violência não se beneficiará de nenhuma indulgência".
Macron revelou que se sente "responsável" por não ter agido com a rapidez necessária para reformar o país e assim ajudar os mais pobres da sociedade. Segundo fontes policiais, desde o primeiro protesto dos "coletes amarelos", em 17 de novembro, as forças de segurança francesa detiveram 4.523 pessoas em todo o país após confrontos que bloquearam as ruas de várias cidades francesas, transformadas em campos de batalha entre manifestantes e a Polícia.
Só no sábado, no quarto ato desta mobilização inédita, cerca de 2.000 pessoas foram detidas - um recorde no país. A brecha entre os franceses parece se aprofundar entre parte da população que se sente cada vez mais pobre e afirma não ser ouvida pelas elites, e Macron, rotulado de o "presidente dos ricos". Os "coletes amarelos" criticam a supressão do imposto sobre as fortunas, adotada por Macron quando chegou ao poder, há 18 meses, uma medida considerada um "presente para os ricos".