O discurso da vitória histórica de Emmanuel Macron, neste domingo, dedicou um momento diretamente aos eleitores que não necessariamente seguem sua corrente política, pregando união. "Obrigado aos que votaram em mim sem ter nossas ideias. Sei que não se trata de um cheque em branco", afirmou, em tom bastante solene. Ele prometeu que fará todo o possível para que os franceses "não tenham mais qualquer motivo para votar nos extremos".
"Não cederemos nada ao medo, não cederemos nada à divisão", acrescentou o presidente recém-eleito, no discurso que fez em um púlpito montado na esplanada do Louvre. Ele chegou caminhando sozinho, com semblante sério, enquanto soava ao fundo o hino europeu, a "Ode à Alegria".
Em apenas um ano, desde que fundou o movimento de centro Em Marcha!, Macron abriu caminho em um país onde os dois grandes partidos tradicionais de esquerda e direita se alternavam no poder há meio século. No primeiro turno, superou-os com um programa europeísta e liberal em temas econômicos e sociais. Foi para o segundo turno com uma confortável vantagem nas pesquisas, reforçada no debate com sua adversária, Marine Le Pen. Isso não impediu que levasse um susto de última hora, com um ataque maciço de "hackers", cuja origem é desconhecida e está sendo investigado pelas autoridades.
Para o mundo, essas eleições funcionaram como um termômetro para mensurar a força dos populistas e retomar o pulso da União Europeia, após a vitória do Brexit no Reino Unido. A aposta política de Macron foi um sucesso, mas o passo seguinte é uma incógnita. Após eleger seu presidente, os franceses voltam às urnas em junho para votar nas eleições legislativas, dominadas pela incerteza.
O baque político da direita e dos socialistas no primeiro turno e o avanço da extrema direita no segundo geram pelo menos uma dúvida: Macron será capaz de conseguir uma maioria parlamentar e evitar uma coabitação complicada, apesar de não dispor da máquina de um partido tradicional?
Marine Le Pen pode eleger muitos mais deputados do que tem atualmente, com sua campanha anti-UE, contra a globalização, contra os imigrantes ilegais e contra as "elites", em um país corroído pelo desemprego e traumatizado com a onda de atentados extremistas.
Macron prega união e reconhece que vitória "não é cheque em branco"
Novo presidente da França afirmou que fará de tudo para que povo "não tenha mais que votar em extremos"