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Maduro adia eliminação da nota de 100 bolívares após protestos

Falta de dinheiro às vésperas do Natal aumentou desespero da população

Maduro adia eliminação da nota de 100 bolívares após protestos
Maduro adia eliminação da nota de 100 bolívares após protestos Foto : Federico Parra / AFP / CP
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, adiou por duas semanas a eliminação da nota de 100 bolívares, depois que o anúncio de seu fim e a falta de novo papel-moeda provocaram muitos protestos. Maduro decidiu nesse sábado prorrogar até 2 de janeiro a vigência dos 100 bolívares e o fechamento das fronteiras com a Colômbia e o Brasil para atacar o que chama de "máfias" que, segundo ele, monopolizavam esta cédula nas zonas limítrofes. "Tranquilamente podem seguir utilizando para suas compras, suas atividades, a nota de 100. E nos bancos públicos e bancos privados, caixas eletrônicos e tudo, há cédulas", afirmou o presidente em uma reunião com o gabinete.

Maduro decidiu na semana passada retirar de circulação a nota de 100 bolívares - a de maior presença e valor, equivalente a 0,15 dólar na taxa oficial mais elevada - e deu 72 horas para a troca em bancos públicos e privados. Ao final do prazo, na quinta-feira, concedeu 10 dias - que depois reduziu a cinco - a partir de sexta-feira para que as pessoas depositassem estas cédulas no Banco Central da Venezuela (BCV).

Mas o BCV fez apenas depósitos eletrônicos nas contas de milhares de venezuelanos angustiados, que formaram longas filas na sexta-feira e sábado para depositar as notas de 100. A oposição reagiu ao anúncio de sábado. O ex-candidato à presidência Henrique Capriles chamou Maduro de "inepto" e o dirigente Jesús Torrealba criticou o Maduro por ter recuado em sua medida depois de provocado "dor".

Preocupação com o Natal


A falta de dinheiro às vésperas do Natal aumentou o desespero da população, que já sofre com uma grave escassez de alimentos e remédios, assim como com a inflação de três dígitos, o que exige cartões de débito ou crédito ou muitas notas para fazer uma simples compra.

O mal-estar provocou protestos e saques a lojas em vários pontos do país. Um deputado e um vereador da oposição afirmaram que no estado de Bolívar (sul) os distúrbios deixaram quatro mortos, mas as autoridades oficiais não confirmaram a notícia.

A prefeitura de Ciudad Bolívar, capital deste estado, decretou um toque de recolher, com restrição ao trânsito de "motos, pedestres e veículos particulares" de sábado até a noite de segunda-feira. O governador de Bolívar, o chavista Francisco Rangel Gómez, informou que 135 pessoas foram detidas pelos saques e oficiais das Forças Armadas foram deslocados para "restabelecer a ordem".

Maduro atribuiu a uma sabotagem internacional o fato de que quatro aviões com as novas cédulas - a maior de 20 mil bolívares - não chegaram a tempo para que entrassem em vigor na quinta-feira, como havia prometido. Diante do cenário, ele afirmou que decidiu "fazer uma reprogramação da entrada do novo valor monetário", à medida que as notas chegarem à Venezuela, de um país não revelado.