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Maduro convoca boicote contra "jornais burgueses" na Venezuela

Presidente disse que comerciantes estão "traindo" valores religiosos

Maduro convoca boicote contra jornais burgueses na Venezuela
Maduro convoca boicote contra jornais burgueses na Venezuela Foto : Leo Ramírez / AFP / CP
O presidente Nicolás Maduro pediu aos venezuelanos que não comprem os "jornais da burguesia", que segundo ele informam de maneira tendenciosa, e criticam o clero do país por permanecer calado ante suas ações para combater a suposta "guerra econômica" que afeta o país. "Que o povo decente, patriota, o povo que está reagindo a estas medidas, não compre estes jornais, porque estes são os jornais defendem a burguesia parasitária", afirmou, ao exibir a primeira página do El Universal, que tinha como manchete na quarta-feira "A escassez em Caracas é a maior em 46 meses".

Ao citar os comerciantes, que segundo Maduro ao especular "estão traindo" seus valores religiosos, independente do credo, perguntou "Por quê o alto clero venezuelano fica calado quando saímos a defender os pobres e os humildes?".

O governo de Maduro lançou uma campanha de fiscalização de preços, que inclui reduções compulsórias nos casos de aumentos considerados irregulares, em vários setores, como eletrodomésticos e peças de carros. A situação provoca filas nas lojas para adquirir produtos com desconto de entre 50% e 60%.

O presidente, que esta semana deve receber "superpoderes" da Assembleia Nacional para governar por decreto, anunciou que a fiscalização chegará a outros setores, como o têxtil, e que decretará limites máximos de lucros aos empresários. Também pretende aumentar as punições aos especuladores.

Maduro define a situação atual de alta inflação e escassez como uma "guerra econômica" liderada pelos Estados Unidos e a burguesia. Caracas responsabiliza aqueles que chama de "parasitas burgueses" por preços que considera injustificáveis em produtos comprados com dólares baratos distribuídos pelo governo.

No início do mês, as autoridades prenderam por algumas horas dois jornalistas e um fotógrafo do Diario 2001 durante a cobertura de um evento popular de Natal organizado pelo governo em Caracas.

O Ministério Público abriu investigação contra o jornal, que em 10 de outubro publicou uma nota sobre a suposta escassez de gasolina em Caracas, o que provocou a irritação de Maduro, que chegou a pedir a detenção dos responsáveis pela informação.


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