Em seu discurso, Maduro prometeu defender e preservar o legado de Hugo Chávez e anunciou que, na próxima semana, iniciará um plano de desarmamento nos bairros. "Não pode haver armas para matar e assaltar. Isso tem que acabar. Ficamos com a missão de sanear a sociedade venezuelana. Já basta de violência! Que acabem os roubos, os sequestros, os crimes", projetou o herdeiro político de Chávez.
A insegurança pública é uma das maiores preocupações dos venezuelanos, em um país com uma taxa de homicídios de 55,2 para cada 100 mil habitantes, segundo dados oficiais - seis vezes a média mundial. Mas este era um tema evitado por Chávez, morto na última terça-feira em Caracas, vítima de um câncer. "Em nome de meu comandante, quero me tornar o presidente que irá salvar a Venezuela da violência, da criminalidade e das drogas", disse entre os aplausos dos chavistas que gritavam: "É assim que se governa!".
Ao anunciar sua candidatura, Maduro, um ex-motorista de ônibus e ex-sindicalista de 50 anos, entregou o programa de governo apresentado por Chávez nas eleições que ganhou no dia 7 de outubro de 2012 contra Henrique Capriles, advogado de 40 anos e governador do estado de Miranda, no norte do país. Nas próximas eleições, Maduro deverá enfrentar o líder opositor.
Maduro tomou posse como presidente interino da Venezuela na última sexta-feira após o funeral de Estado de Chávez. Ele foi designado herdeiro político e candidato a possíveis eleições pelo próprio dirigente dois dias antes de partir para Cuba, 10 de dezembro, para se submeter a uma quarta cirurgia contra o câncer. As eleições para substituir Chávez, que morreu após liderar um governo personalista durante 14 anos, terão uma campanha acelerada, que será formalmente realizada entre os dias 2 e 11 de abril, apesar de na prática os candidatos já terem iniciado o processo com trocas de acusações.