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Maduro quer prisão imediata de comerciantes que remarcarem preços

Presidente da Venezuela ordenou tropas a "guardarem" entradas de grandes redes de lojas

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou a detenção imediata de comerciantes que reincidirem no aumento de preços, em pronunciamento em rede nacional de televisão nesta sexta-feira, a nove dias das eleições municipais. "Em todas as inspeções que forem feitas, e que se mostre amplamente que houve remarcação de preços, atue-se com toda a severidade da lei e, por serem crimes em flagrante, proceda-se imediatamente à detenção dos responsáveis", ordenou a militares, milícias e órgãos de Justiça, encarregados de monitorar os estabelecimentos comerciais.

Nesta sexta, o presidente anuncia o segundo pacote de medidas dentro do que o governo define como "guerra econômica contra a burguesia parasita e o imperialismo". Este mês, Maduro recebeu do Congresso poderes especiais para governar por decreto durante um ano em temas de economia e luta contra a corrupção. "Vamos com tudo. Vamos com medidas mais fortes ainda de autoridade", advertiu o presidente venezuelano.

No pronunciamento na televisão, Maduro também anunciou um decreto para regular e forçar a redução dos lucros dos estabelecimentos comerciais. Há três semanas, o governo antecipa disposições para intervir no comércio. As lojas estão sendo monitoradas por tropas federais e obrigadas a promover uma queda dos preços. Na semana passada, o presidente assinou as primeiras disposições destinadas a impor limites às margens de lucro no varejo e para a criação de um registro estatal de pequenas e médias empresas.

Na quinta-feira, a entidade empresarial Fedecámaras disse esperar que as novas medidas garantam a propriedade privada e o acesso a divisas para aumentar a produção e frear a escassez e a inflação no país, detentor das maiores reservas de petróleo do mundo. "A Venezuela espera aumentar a produção das empresas públicas, garantir o acesso do setor privado às divisas, tornar oportunos os ajustes de preços que normalmente discute com os empresários, respeito à propriedade privada", definiu o presidente da entidade, Jorge Roig.

No início de sua mensagem no salão Néstor Kirchner do Palácio de Miraflores, Maduro respondeu a Fedecámaras, acusando-a de "golpista". "É a mesma Fedecámaras de sempre, que durante um século esteve no poder e saqueou este país. Fedecámaras que liderou o golpe de Estado contra o comandante Hugo Chávez em abril de 2002", lançou o chefe de Estado.


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