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Mais de 100 pessoas são detidas em protesto em Hong Kong

Protesto que pede instalação de sufrágio universal contou com barricadas nas ruas de Mongkok

Mais de 100 pessoas são detidas em protesto em Hong Kong
Mais de 100 pessoas são detidas em protesto em Hong Kong Foto : Philipe Lopez / AFP / CP
A polícia retirou nesta quarta-feira os manifestantes de boa parte do acampamento instalado pelo movimento pró-democracia em Mongkok, na parte continental de Hong Kong, e 116 pessoas foram detidas. Centenas de policiais compareceram ao local para permitir o trabalho dos funcionários que desmontaram as barricadas na principal área do acampamento de Mongkok, uma grande avenida com muitas lojas.

Após duas horas de operações para a retirada das barricadas, dezenas de manifestantes permaneciam no local. A situação era de grande tensão. Nessa terça-feira, manifestantes entraram em confronto com a polícia, quando os funcionários retiravam as barricadas de outra rua ocupada de Mongkok.

Desde terça-feira, 116 pessoas foram detidas, segundo a polícia. Vinte agentes foram feridos. Entre os detidos estão os líderes estudantis Joshua Wong e Lester Shum, segundo os manifestantes, que desejam a instauração de um verdadeiro sufrágio universal. Um integrante de uma equipe de televisão também foi detido, segundo a Associação de Jornalistas de Hong Kong.

Confrontos

Mongkok abriga um dos três acampamentos ocupados desde 28 de setembro na ex-colônia britânica devolvida para a China. Os outros são os de Admiralty, perto da sede do governo, e de Causeway Bay, bairro comercial de luxo apreciado pelos chineses do continente.

Como na semana passada em Admiralty, onde as imediações de um arranha-céus foram desocupadas, as operações respondem a uma ordem de expulsão da justiça a pedido, entre outras, das empresas de transportes. Mongkok foi cenário de confrontos entre manifestantes, policiais, moradores nervosos e homens supostamente ligados à máfia chinesa.

Os manifestantes, que pedem a instauração de um verdadeiro sufrágio universal, reuniram milhares de pessoas nas ruas de Hong Kong desde 28 de setembro. O número de participantes caiu consideravelmente nas últimas semanas e o movimento parede dividido a respeito da estratégia, enquanto aumenta visivelmente o cansaço dos quase sete milhões de habitantes com os engarrafamentos.

Território chinês com ampla autonomia, a ex-colônia britânica vive a crise mais grave desde que foi devolvida a Pequim em 1997. Pequim aprovou o princípio "uma voz, um voto", mas reservou a um comitê de grandes eleitores - majoritariamente favorável ao Partido Comunista chinês - a missão de pré-selecionar os candidatos, algo inaceitável para o movimento pró-democracia.