Mais de 15 mil corpos de vítimas do terremoto que devastou o Haiti na terça-feira foram recolhidos e enterrados, declarou nesta sexta-feira o primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive.
"Os corpos de mais de 15 mil pessoas já foram retirados das ruas e enterrados", declarou o primeiro-ministro à imprensa, depois de se encontrar com o ministro francês para a Cooperação, Alain Joyandet.
Bellerive reconheceu, no entanto, que se trata de um balanço "extremamente parcial". "Nos contentamos simplesmente em recolher os mortos que estavam nas artérias" da cidade, disse. A estimativa é a de que milhares de cadáveres ainda estejam sob os escombros.
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A cada cinco minutos, um veículo chega às portas do cemitério de Porto Príncipe, e mais um corpo é depositado na vala comum que as autoridades mandaram cavar nesta sexta-feira, numa vã tentativa de tirar das ruas as centenas de corpos que se decompõem a céu aberto.
"Perdemos a dignidade ante a morte", afirma Mezen Dieu Justi, um ancião que contém a náusea e as lágrimas ao passar diante da sórdida cena. Três dias depois do tremor que devastou a capital haitiana e deixou dezenas de milhares de mortos, a procissão de veículos em direção ao cemitério é contínua.
Esta última visão de seus seres queridos é motivo de mais sofrimento para os haitianos."Era meu pai, meu santo pai!", grita uma jovem, antes de desmaiar ante a visão da vala comum. Uma mulher, como possuída, desce descontrolada para as sepulturas e diz que se sente melhor entre os mortos, até ser obrigada a subir, obedecendo a ordem de dezenas de pessoas.
"Perdi o juízo. A morte está nos deixando loucos", comenta tristemente o parente de um dos mortos que acabam de chegar."Há três dias a minha irmã estava morta em casa. No final a trouxemos para cá. Perdemos a esperança de lhe dar um enterro digno, um caixão, a bênção de um sacerdote", soluça Florence, uma professora de 40 anos.
A morte, apresentada da forma mais crua e desapiedada, inunda irremediavelmente as ruas de Porto Príncipe. Os trabalhos das equipes de resgate estrangeiras são ínfimos comparados à dimensão do desastre. Há três dias, numerosos corpos jazem empilhados nas ruas, decompostos e cobertos de moscas, em meio a um odor insuportável.
Em uma verdadeira corrida contra o relógio, os contingentes estrangeiros se preocupam prioritariamente dos que possam estar vivos sob os escombros. Algumas máquinas escavadoras estrangeiras retiram cadáveres misturados a escombros e os transportam em caminhões, sem identificá-los, para as valas comuns mais próximas.
Familiares aguardam pacientemente o trabalho das pás mecânicas para ver se reconhecem ou veem aparecer algum de seus seres queridos em meio a ruínas."A verdade é que não sabemos o que fazer com os mortos", confessa Joseph Tihaly, haitiano voluntário que coordena a entrega e recolhe corpos abandonados.
Mais de 15 mil corpos já foram recolhidos no Haiti
A cada cinco minutos, um veículo chega às portas do cemitério de Porto Príncipe