Mundo

Mais de 300 brasileiros moram em área ameaçada por usina no Japão

Após terremoto, governo tenta evitar fusão parcial de reator nuclear em Fukushima

Itamaraty diz que 383 brasileiros moram em área ameaçada por usina no Japão
Itamaraty diz que 383 brasileiros moram em área ameaçada por usina no Japão Foto : Philippe Lopes/AFP
A equipe de plantão do Itamaraty, em Brasília, informou que 383 brasileiros residem em Fukushima, nas proximidades da usina nuclear que sofreu uma explosão nesse sábado, no Japão. Em Sendai, uma das cidades mais afetadas pelo tsunami gerado pelo terremoto de magnitude 8,9, de 15 a 20 brasileiros mantém residência.

• Leia mais notícias sobre o terremoto no Japão

O jornalista brasileiro Marcelo Sato, que reside em Tóquio desde 1991, com a mulher e duas filhas, relatou que o governo japonês orientou os moradores de Fukushima para saírem às ruas somente com o uso de máscaras. Além disso, foi recomendado à população da cidade que utilize capas de vinil descartáveis, semelhantes a capas de chuva com capuz. As orientações foram dadas para minimizar os riscos de contaminação pela radiação que está vazando da usina nuclear.

As autoridades japonesas pedem para que as capas de vinil e as máscaras não sejam reutilizadas e que, ao chegar em casa, as pessoas joguem esses materiais no lixo. Os moradores de Fukushima também estão sendo instruídos a não usar sistemas de ventilação com aparelhos de ar-condicionado, que traz ar do exterior para o interior das casas.

O governo japonês prepara uma espécie de “política de apagão” de energia elétrica para a Região Norte do arquipélago, área mais afetada pelo terremoto e pelo tsunami que se seguiu, na sexta-feira. A informação é do secretário da Embaixada do Brasil em Tóquio, Eduardo Souza. Segundo ele, o anúncio foi feito pelo primeiro-ministro japonês, Naoto Kan. A ideia do governo nipônico é implantar uma escala de cortes de energia de três horas por dia nas cidades da Região Norte.

Comissões vão estudar soluções para o desastre

 O Japão também decidiu criar três comissões para lidar com a crise na qual o país mergulhou desde sexta-feira. Segundo Eduardo Souza, uma delas vai tratar exclusivamente no estudo dos problemas energéticos, com foco na tentativa de controle das usinas nucleares da região afetada que ainda apresentam riscos de explosão. Neste domingo, o governo declarou estado de emergência em uma segunda usina nuclear, em Onagawa.

Outra comissão tratará do ordenamento dos trabalhos de socorro às vítimas a serem desenvolvidos por organizações não governamentais (ONG). A terceira comissão vai estudar a situação da economia japonesa e as medidas que serão tomadas para minimizar ao máximo as consequências do terremoto para a indústria do país.

Mais cedo, o governo japonês advertiu que existe novo risco de uma segunda explosão na central nuclear de Fukushima, devido a um acúmulo de hidrogênio no reator número 3. A usina nuclear, danificada pelo terremoto de sexta-feira, já havia sofrido uma explosão no sábado.

Engenheiros tentaram, sem muito sucesso, resfriar o centro do reator com água do mar, mas acreditam que o concreto em volta é forte o bastante para aguentar uma explosão. Até agora, 170 mil pessoas foram retiradas das áreas próximas à usina. Para especialistas americanos em energia atômica, utilizar água do mar para esfriar um reator nuclear  é um "ato de desespero" que evoca a catástrofe de Chernobyl.

Bookmark and Share