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Mais de um milhão de pessoas sem eletricidade devido a ataques russos em Kiev a -14ºC

Cerca de 600 mil pessoas fugiram nas últimas semanas

Kiev fica sem energia elétrica por conta dos bombardeios
Kiev fica sem energia elétrica por conta dos bombardeios Foto : Sergei Gapon / AFP / CP

Bombardeios russos lançados na madrugada desta terça-feira (20) deixaram mais de um milhão de pessoas sem eletricidade em Kiev, onde as temperaturas giram em torno de -14°C e de onde cerca de 600 mil pessoas fugiram nas últimas semanas.

Os ataques russos obrigarão "mais de um milhão" de habitantes de Kiev a passar a noite sem eletricidade, e mais de 4 mil blocos residenciais seguem sem calefação — aproximadamente metade do total da capital —, denunciou o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky.

O Parlamento está sem calefação, água nem eletricidade após os ataques. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, indicou nesta terça-feira que cerca de 600 mil pessoas deixaram a cidade desde o apelo para evacuação provisória feito em 9 de janeiro.

Impacto humanitário e relatos

O bombardeio de centenas de drones e mísseis matou ao menos um homem de 50 anos perto da capital. Jornalistas da AFP em Kiev ouviram sirenes de alerta aéreo e explosões enquanto os sistemas de defesa ucranianos respondiam aos drones e mísseis.

Marina Sergienko, uma contadora de 51 anos que se abrigou em uma estação de metrô, está convencida de que os ataques têm um propósito claro: "Desgastar as pessoas, levar as coisas a um ponto crítico para que não reste força, para quebrar nossa resistência", disse ela.

O ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, atacou o presidente russo, Vladimir Putin, chamando-o de criminoso de guerra e afirmando que ele continua travando uma "guerra genocida" contra civis. O ministro assegurou que as forças russas atacaram a infraestrutura energética em ao menos sete regiões e instou os aliados a reforçar a defesa aérea.

Agenda internacional de Zelensky

Zelensky sugeriu que poderia ausentar-se do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, para lidar com as consequências do ataque.

No entanto, ele manteve aberta a possibilidade de comparecer se os acordos com os Estados Unidos sobre apoio econômico e de segurança no pós-guerra estiverem prontos para serem assinados. O presidente expressou ainda preocupação de que questões geopolíticas paralelas desviem a atenção internacional do conflito.

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Detalhes da ofensiva russa

A Rússia lançou cerca de 339 drones de combate de longo alcance e 34 mísseis no ataque noturno, informou a força aérea de Kiev. Zelensky afirmou que a Ucrânia só recebeu um carregamento de munições para sistemas de defesa aérea na véspera do ataque.

Na madrugada de 9 de janeiro, a Rússia já havia realizado um de seus piores ataques à rede energética. Atualmente, as escolas permanecem fechadas até fevereiro e a iluminação pública foi reduzida para preservar recursos.

Situação em outras regiões e diplomacia

Outras regiões, como Odessa (sul), Rivne (oeste) e Vinnytsia (centro-oeste), também sofreram bombardeios contra infraestruturas energéticas. A companhia estatal Ukrenergo anunciou cortes emergenciais para estabilizar o sistema.

O Kremlin afirma que ataca apenas instalações militares e responsabiliza Kiev pela continuidade da guerra. Embora as negociações estejam em impasse, o enviado russo Kirill Dmitriev afirmou nesta terça-feira ter mantido conversas "construtivas" com seus pares norte-americanos em Davos.