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Manifestantes pró-Kadhafi comemoram "vitória" que souberam pela TV

Enquanto apoiadores do ditador da Líbia festejavam na capital, rebeldes dormiam tranquilos em cidades tomadas

Clima em Tripoli era de vitória
Clima em Tripoli era de vitória Foto : Antoine Lambroschini / AFP / CP
Em meio à crise que já dura mais de duas semanas, a desinformação segue na Líbia. Não apenas nos rebeldes, que lutam pela queda do coronel Muammar Kadhafi, como também na capital, Trípoli. E a falta de notícias com credibilidade faz com que informações antônimas circulem como se fosse verdade, provocando diferentes reações entre a população líbia pró e contra o ditador.

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Em Trípoli, o som dos tiros de armamento pesado disparados para o alto ganharam força neste fim de semana. Depois dos estampidos, a televisão anunciou que cidades até então nas mãos de opositores de Kadhafi teriam sido libertadas pelo exército. As notícias animaram os manifestantes a favor do regime, que foram às ruas para comemorar o suposto triunfo. 

Alguém está errado... 

Enquanto isso, os insurgentes, que tomaram o controle do Leste do país, despertavam tranquilamente em Benghazi, Ajdabiya e Ras Lanuf. Benghazi, por sinal, estaria na mira do exército de Kadhafi, enquanto Tobruk, Misrata e Ras Lanuf já teriam sido recuperadas das mãos de "grupos terroristas", conforme a rede de TV Al Lybia, ligada a um filho de Kadhafi.

No entanto, jornalistas da AFP em Ras Lanuf, assim como testemunhas contatadas em Tobruk, afirmaram que tudo estava calmo nessas regiões.

A televisão também mostrou imagens de "manifestações de alegria" em Sirte, a cidade natal de Kadhafi, e em Sebha, no Sul da Líbia. Porém, os rebeldes nunca disseram ter ocupado essas duas cidades.

Tiros, festas e mais tiros

Em meio ao alvoroço da capital, os tiros se intensificaram, fazendo com que milhares de líbios, homens, mulheres e até crianças se reunissem na Praça Verde para cantar, ao ritmo dos tiros de metralhadora, seu apoio pelo líder líbio. As cenas foram transmitidas imediatamente pela televisão local.

Na Praça, foram distribuídos chapéus com a imagem de Kadhafi, assim como bandeiras verdes, a cor do islã e do regime. A polícia e o exército se uniram à alegria da população, disparando suas armas para o céu de Trípoli.

Pela capital, milhares de automóveis desfilavam pelas grandes avenidas, buzinando e comemorando a "vitória". "Nós ganhamos", bradava um dos barulhentos simpatizantes de Kadhafi, dirigindo seu veículo. Ele só não soube responder onde: "Não sei onde ganhamos, mas ganhamos", respondeu.

Todos na Praça Verde afirmaram ter comparecido de maneira espontânea para celebrar "este grande dia". "Na Líbia, todo o mundo tem uma AK-47, e quando estamos felizes disparamos", afirmou Imed, com sua arma nas mãos, antes de atirar e dar uma gargalhada. "Apoiamos Kadhafi como se fôssemos apenas um homem: toda a Líbia, todo o Norte, o Sul, o Oeste e o Leste também", insiste ele, que é membro de uma milícia partidária do governo.

Crianças não ficam de fora

Com a filha de um ano no colo, outro manifestante também fazia sua festa, em tom de desabafo: "Agora, o mundo inteiro, Hillary Clinton vê que o povo diz 'sim' a Kadhafi, nosso pai, nosso líder".

As crianças não ficaram de fora da festa armada. Uma delas, um menino vestido de tartaruga ninja, chegou a tomar a pistola de seu pai, afinal queria atirar também. Mais à frente, um soldado passou sua AK-47 a um grupo de estudantes que tiraram fotos com a arma e com a imagem de Kadhafi. "Ganhamos, a Al-Qaeda se foi para sempre", celebrou um menino. Com apenas 12 anos, ele já sabe de cor a versão oficial que acusa o grupo de Osama Bin Laden da revolta na Líbia.


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