A favor da trégua, a comunidade internacional examina o envio de observadores para monitorar a aplicação no terreno do plano do emissário internacional Kofi Annan, que pediu nesta sexta um "acesso humanitário" à Síria. Desde que começou a violência em março de 2011, as autoridades impõem rígidas restrições ao acesso dos jornalistas e trabalhadores humanitários, impedindo a verificação das informações por meio de fontes independentes.
O plano de seis pontos de Kofi Annan prevê o fim das hostilidades, a retirada do exército das cidades e o "direito de se manifestar pacificamente". Apesar disso, Damasco lembrou que qualquer manifestação deve ser previamente autorizada.
O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão da oposição, pediu que a mobilização continue para derrubar o presidente Bashar al-Assad. "O povo quer a queda do regime" e "vamos ver as promessas de Assad de cessar-fogo" gritavam os manifestantes, chamando o exército sírio de "traidor", de acordo com vídeos publicados na internet pelos militantes.
Várias correntes da oposição rejeitam qualquer diálogo com Damasco até a saída de Assad, o que suscita temores entre os analistas de que o plano Annan só se limite ao seu aspecto militar, sem um real diálogo político.
Na quinta-feira, Kofi Annan disse ao Conselho de Segurança da ONU que tecnicamente, Damasco não tinha respeitado seu plano, mas que o frágil cessar-fogo era uma "possibilidade a ser aproveitada", enquanto o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse querer "enviar uma equipe de observadores o mais rápido possível". O projeto de resolução discutido nesta sexta-feira no Conselho de Segurança prevê o envio de uma equipe de "10 a 12 pessoas, quando possível", explicou o porta-voz de Annan, Ahmad Fawzi.
O texto, do qual a AFP obteve uma cópia, "exige também que o governo sírio retire suas tropas e suas armas pesadas das aglomerações urbanas e ordene o aquartelamento de tropas".
Desde março de 2011, os episódios de violência na Síria deixaram um saldo de mais de 10 mil mortos, segundo o OSDH, e obrigaram milhares de pessoas a fugir para os países vizinhos.