Manifestantes incendiaram nesta segunda-feira um prédio administrativo do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), durante violentos distúrbios em Caracas, em mais um dia de protestos contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Grupos de encapuzados atiraram pedras e coquetéis molotov contra o prédio da Direção Executiva da Magistratura, em Chacao, provocando um incêndio na fachada.
Uma grande coluna de fumaça se erguia sobre o prédio no final da tarde, em meio à ação dos bombeiros e da Guarda Nacional, que utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. No prédio funciona um órgão auxiliar do TSJ, a administração e inspetoria do Poder Judiciário, alvo frequente de manifestantes desde o início da atual onda de protestos contra Maduro, que já deixou 66 mortos e mais de mil feridos.
Os manifestantes também lançaram pedras contra a sede do ministério da Habitação, situado a poucos metros do edifício do TSJ, enquanto funcionários abandonavam o local afetados pelo gás lacrimogêneo. O TSJ anunciou nesta segunda-feira que mudará a instituição de local por considerar Chacao "um território sem lei".
Segundo o ministro do Interior e Justiça, general Néstor Reverol, os ataques ao prédio do TSJ contam com a "cumplicidade" das autoridades e dos corpos de segurança municipais e regionais, controlados pela oposição. Reverol ordenou a intervenção na polícia do estado de Miranda, cujo governador é o ex-candidato presidencial e líder opositor Henrique Capriles. Chacao está sob a jurisdição do Estado de Miranda.
O TSJ, acusado pela oposição de ser um apêndice do governo de Maduro, está no centro da crise política após autorizar o Executivo a convocar uma Assembleia Constituinte sem o aval de um referendo.
Manifestantes queimam prédio administrativo do Supremo em Caracas
Ação ocorreu em mais um dia de graves protestos contra Nicolás Maduro