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Manifestantes sírios pedem proteção internacional

ONU contabiliza pelos menos 2.200 pessoas mortas desde o início dos confrontos, em meados de março

Dezenas de milhares de sírios exigiram pela primeira vez nesta sexta-feira uma proteção internacional frente à repressão exercida pelo regime de Bashar al-Assad, defendido por Moscou, que denunciou a presença de "terroristas" entre os manifestantes. O líder da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, é aguardado para sábado na Síria, onde deve apresentar a Assad um plano para a "suspensão imediata" da repressão e a realização de uma eleição presidencial em 2014, no final de seu mandato.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), as tropas encarregadas de abafar a contestação atiraram nos manifestantes, matando três civis, entre eles, um adolescente de 15 anos em Deir Ezzor (nordeste), em Homs (centro) e em Idleb (noroeste). Um quarto manifestante foi morto em Hama (centro).

Mesmo com a manutenção da violência por parte das forças de segurança, os militantes pró-democracia não desistem de sua luta. "Os sírios pedem que a ONU adote uma resolução por uma missão de observadores permanentes na Síria", escreveram em sua página do Facebook "The Syrian revolution 2011".

"Pedimos a entrada de observadores internacionais, da imprensa internacional", que não são autorizados a cobrir livremente os eventos no país, e "a proteção de civis", acrescentaram. Segundo o OSDH, dezenas de milhares de pessoas protestaram em todo o país, sendo mais de 20.000 pessoas em Homs e várias dezenas de milhares em Idleb.

Em Hama, cidade tradicionalmente hostil ao regime de Assad, os manifestantes gritavam: "Queremos proteção internacional".

Os manifestantes também expressavam a sua rejeição a uma intervenção militar estrangeira na Síria para proteger a população civil, como ocorre com a Líbia, denunciando a falta de solidariedade internacional frente à repressão.

Segundo a ONU, pelos menos 2.200 pessoas foram mortas desde o início das manifestações em meados de março, em sua maioria civis. No subúrbio de Damasco, em Tal, as forças de segurança atiraram para o ar e lançaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar 1.000 manifestantes, mas a multidão voltou a se reunir em um outro bairro, sendo novamente reprimida, segundo militantes pró-democracia.

Em Moscou, o presidente russo Dmitri Medvedev considerou na quinta-feira à noite que uma "mensagem severa" deve ser enviada não apenas ao poder sírio, mas também à oposição, afirmando que alguns opositores podem ser classificados como "terroristas".