Mundo

Maré negra ameaça Louisiana

Vazamento de petróleo pode se tornar uma das maiores catástrofes ambientais da história dos EUA

Estado da Louisina, nos EUA, ameaçado por petróleo
Estado da Louisina, nos EUA, ameaçado por petróleo Foto : Mark Ralston / AFP / CP
O vazamento de petróleo no Golfo do México alcançou as costas da Louisiana e ameaça se tornar uma das maiores catástrofes ambientais da história dos Estados Unidos. Tanto, que as autoridades norte-americanas decidiram colocar os presos do estado e também a Guarda Nacional para auxiliar na operação de contenção.

Billy Nungesser, chefe da administração da localidade de Plaquemines Parish, na Louisiana, declarou que a mancha de petróleo - originada em uma plataforma do grupo britânico BP que afundou em 22 de abril - alcançou na noite de quinta-feira a costa na região da foz do rio Mississippi.

A maré negra, de uma circunferência total de 960 km, não demorou a alcançar a costa, ameaçando o frágil ecossistema, apesar dos esforços para impedir o avanço realizados pela Guarda Costeira e pelo grupo British Petroleum (BP).

Os governadores da Louisiana e da vizinha Flórida declararam estado de emergência, e o presidente Barack Obama ofereceu "todos os recursos disponíveis", incluindo os militares, para evitar uma catástrofe ambiental.

A costa da Louisiana é um santuário de fauna, particularmente de aves marinhas, e a da Flórida abriga uma enorme indústria pesqueira e turística. Além de declarar estado de emergência, o governador da Louisiana, Bobby Jindal, pediu a mobilização de 6 mil reservistas da Guarda Nacional.

As autoridades norte-americanas também decidiram colocar os presos do estado da Louisiana trabalhando para evitar uma catástrofe ambiental. O Departamento Correcional "trabalha com o Departamento de Vida Silvestre e Indústria Pesqueira (DWF) para treinar os presos nos esforços de limpeza do petróleo derramado, para que possam colaborar com as agências federais" na operação, disse Jindal.

O vazamento foi declarado catástrofe "de importância nacional", o que coloca recursos federais a serviço da emergência em questão. O anúncio foi precedido pela descoberta, na quinta, de um novo vazamento que verte no mar mais de 5 mil barris (800 mil litros) por dia", segundo o governo americano.

David Axelrod, conselheiro do presidente Obama, enfatizou nesta sexta à cadeia de televisão ABC que "nenhuma nova perfuração foi autorizada e nenhuma será até que se tenha determinado o que aconteceu" com a plataforma. Obama surpreendeu ao anunciar, em março passado, o fim de uma moratória sobre a exploração petroleira no mar, com a esperança de ganhar mais apoio para uma lei de redução das emissões de gases de efeito estufa.

O presidente afirmou em um discurso nos jardins da Casa Branca que seguia pensando "que a produção de petróleo norte-americana tem um papel importante em nossa estratégia de segurança energética, mas sempre deve ser responsável pela segurança dos funcionários (do setor) e pela proteção do meio ambiente". Um porta-voz informou que Obama não descarta viajar ao local da tragédia.

Já a BP afirmou nesta sexta-feira, através de sua porta-voz Sheila Williams, que "assume toda a responsabilidade pela maré negra e pela limpeza", confirmando assim declarações do diretor-geral da companhia, Tony Hayward.

Williams informou que a petroleira britância pagará pelos danos e prejuízos às pessoas afetadas pela maré negra que tenham condições de "apresentar queixas legítimas". O governo norte-americano aumentou a pressão contra a BP, ao afirmar que deve fazer mais para enfrentar o desastre.

Já os criadores de camarão da Louisiana apresentaram uma queixa contra a BP por "negligência" e "contaminação", para obter um ressarcimento de US$ 5 milhões.