"Ainda não há data para entrar em La Paz", disse Vargas, no momento em que a capital boliviana encontra-se sem vigilância policial, já que os oficiais estão amotinados desde quinta-feira por demandas salariais, tomando a Praça de Armas, onde o presidente Evo Morales tem seu gabinete. Morales, seu vice-presidente, Alvaro García, e a ministra de Comunicação, Amanda Dávila, asseguraram nos últimos três dias que setores da direita buscam um golpe de Estado, fazendo coincidir as reclamações dos indígenas com o motim dos policiais em todo o país.
García inclusive enfatizou que há um "Plano Tipnis" da direita que buscaria convulsionar a Bolívia, concatenando os dois conflitos sociais. O Tipnis é o Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure, que os indígenas defendem e pela qual marcham pela segunda vez em oito meses.
Os indígenas iniciaram sua caminhada na cidade de Trinidad em 27 de abril e até agora já percorreram 588 quilômetros. A coluna de manifestantes cruzou nesta segunda-feira a Cordilheira Oriental dos Andes, por uma estrada a 4 mil metros de altitude e chegaram a Urujara, perto de La Paz, a 3,6 mil metros.