O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou neste sábado (31) que Washington não esteve diretamente envolvido na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após sua derrota eleitoral.
"Ele já tinha um visto anteriormente, e o presidente tomou a decisão de permitir que ele entrasse no país", disse Rubio em uma coletiva de imprensa em Atlanta, Geórgia, onde recebeu os ministros das Relações Exteriores do G20 para uma cúpula de dois dias.
Ele acrescentou que "o governo dos Estados Unidos não esteve diretamente envolvido" nos arranjos feitos pelo senador e ex-candidato para deixar seu país.
Jornal argentino afirma que EUA e Argentina participaram de saída
A ida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial lembra o enredo de filmes de espionagem, conforme o relato publicado no jornal argentino Clarín na noite desta sexta-feira, 30. De acordo com uma reportagem assinada por Nicolás Wiñazki, a saída do Brasil envolveu a ajuda americana tanto em território argentino quanto no brasileiro e o aluguel de pelo menos três jatos diferentes, para ter alternativas caso o plano original falhasse.
Segundo o texto, na terça-feira, 27, quase à meia-noite, as câmeras de TV filmaram uma van branca com vidros escurecidos chegando ao aeroporto de Puerto Iguazú, e todos acreditaram que lá dentro estariam o candidato derrotado e sua família. A decolagem quase imediata do jato particular Gulfstream IV, matrícula LV-JQW, com destino a Miami, nos Estados Unidos, acabaria reforçando isso.
Mas, segundo o Clarín, a realidade era diferente. A família Bolsonaro havia chegado ao aeroporto de Puerto Iguazú uma hora antes, em um veículo cujos movimentos teriam sido organizados por agentes dos Estados Unidos. Esse veículo teria entrado na pista de pouso e decolagem por uma entrada secreta à qual ninguém havia prestado atenção.
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Os membros da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA), assim como os funcionários da Imigração e da Alfândega da Argentina, haviam sido afastados pelos enviados ou representantes do exterior, que coordenaram os trâmites necessários para a partida dos Bolsonaro e garantiram que eles embarcassem no jato particular LV-JQW sem contratempos. A família aguardou mais quarenta minutos até que a aeronave fosse autorizada a decolar, segundo o jornal.
Até aquele momento, desde o governo de Donald Trump até o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva haviam afirmado, em declarações públicas, que os Bolsonaro já haviam ido para os Estados Unidos. Mas isso não era verdade: a saída do território brasileiro só aconteceria naquele momento.
*Com informações de Estadão Conteúdo