A opositora venezuelana e prêmio Nobel da Paz María Corina Machado afirmou nesta terça-feira (2) que quer negociar uma transição democrática em seu país sem "rendição" nem "revanche".
Machado segue pressionando por uma transição democrática desde que o presidente Nicolás Maduro foi capturado em 3 de janeiro, em Caracas, em uma operação especial do Exército americano, e sucedido por sua então vice-presidente, Delcy Rodríguez.
"Aqueles que agora exercem o poder de forma interina devem ter reconhecido algo que não queriam ver nem aceitar: que a Venezuela não pode se estabilizar, se recuperar nem ser governada indefinidamente sem a maioria democrática que se expressou em 28 de julho" de 2024, data da última eleição presidencial, disse a opositora em uma intervenção telemática em inglês no Oslo Freedom Forum.
"Por isso, a negociação é necessária neste momento, não como rendição, nem como vingança, mas como um esforço sério e firme para transformar uma nova abertura política em uma solução democrática", acrescentou.
O cenário eleitoral de 2024
Em 28 de julho de 2024, foi realizada uma eleição presidencial na qual Machado, inabilitada pela Justiça venezuelana, não pôde concorrer.
A oposição ao chavismo foi representada nesse pleito por Edmundo González Urrutia e denunciou como fraude a declaração de Nicolás Maduro como vencedor.
Nas últimas semanas, Machado se mostrou disposta a negociar uma transição com Delcy Rodríguez.
Relação com Delcy Rodríguez e Trump
Após a captura e a prisão de Maduro nos Estados Unidos, o presidente americano Donald Trump se mostrou, no entanto, agradecido à presidente interina da Venezuela, que realizou uma série de mudanças, entre elas uma nova lei de mineração que abre amplamente o setor às grandes petroleiras americanas.
A líder opositora decidiu dar ao republicano a medalha do Nobel da Paz que recebeu em dezembro de 2025. Ela também defendeu a iniciativa americana de tirar Maduro do poder pela força.
Embora Trump tenha elogiado Machado por seu gesto simbólico, ele não apoiou a opositora nem a oposição venezuelana para que assumam o poder, e se mostrou cético sobre sua capacidade de liderar a nação sul-americana.
Machado, considerada uma fugitiva pelo governo de Rodríguez, afirmou novamente que quer voltar "muito em breve" à Venezuela, sem anunciar datas.