"Cada um fará sua eleição. Eu farei a minha. Vocês são cidadãos livres e devem votar de acordo com sua consciência, livremente", afirmou. Segundo ela, votar em Sarkozy seria uma "nova decepção", e votar em Hollande seria "uma falsa esperança". Comemorando seu resultado no primeiro turno, Le Pen se vangloriou de ter "imposto os verdadeiros temas nos debates". "A campanha eleitoral se estrutura em torno de nossas propostas", afirmou.
"A eleição não é para esta vez, mas assentamos as bases de nossa chegada ao poder. Nossa vitória é inevitável", afirmou ainda. Em relação aos dois candidatos restantes no páreo, afirmou que "não há uma presidencial e sim um concurso para contratar um diretor de operações do Banco Central Europeu (BCE), sob tutela do Fundo Monetário Internacional (FMI) e que deve prestar contas regularmente a Angela Merkel", a chanceler alemã.
Milhares de pessoas participaram na manifestação, que acabou na Praça da Ópera, onde a dirigente fez seu discurso. Os manifestantes exibiam bandeiras da França e repetiam slogans como "Sarko-Hollande é a mesma coisa" e "nem direita, nem esquerda, azul-Marine".
Apesar de não admitir publicamente, Marine Le Pen aposta numa vitória de François Hollande no dia 6 de maio a fim de reivindicar sua condição de principal opositora do esquerdismo. Uma vez mais, se apresentou nesta terça-feira como "a única oposição à esquerda". "Somos agora a única e verdadeira oposição à esquerda ultraliberal, laxista e libertária", declarou, quando ainda não eram conhecidos os resultados do primeiro turno, em que 6,4 milhões de franceses votaram nela.
Na semana passada, a presidente do FN pediu várias vezes a Nicolas Sarkozy e ao líder de seu partido presidencial, a União Por um Movimento Popular (UMP), Jean-François Copé, que dissessem claramente em quem votariam em caso de duelo FN-Partido Socialista nas legislativas de junho próximo. Nenhum dos dois se pronunciou pela Frente Nacional, o que ela não deixou de recordar em seu discurso.