O candidato da direita Mario Abdo Benítez, filho do secretário particular do ditador Alfredo Stroessner, venceu por uma margem estreita a presidência do Paraguai e será obrigado a buscar alianças durante seu mandato de cinco anos depois de seu partido fracassar em obter a maioria absoluta no Senado. Na eleição dos 45 membros do Senado, o Partido Colorado de Abdo Benítez obteve 18 assentos contra 13 para o Partido Liberal, de seu adversário, Efraín Alegre. Outras forças políticas ficaram com as cadeiras restantes, segundo dados do Tribunal Eleitoral, divulgados na segunda-feira.
A situação precisava de 23 assentos para dominar o Senado. "O povo votou pela unidade e não pela divisão. Eu me comprometo a ser fator de união do Paraguai", afirmou, conciliador, Benítez em seu primeiro discurso depois de ser proclamado presidente eleito. Sua eleição foi saudada pelo departamento de Estado de Estados Unidos, que destacou "o compromisso do Paraguai com os valores democráticos".
"Marito", como é conhecido popularmente, venceu por 3,7 pontos de vantagem ante o liberal Efraín Alegre, que disputou pela coalizão de centro-esquerda Aliança Ganhar. O resultado é muito inferior à projeção das pesquisas, que chegaram a dar 20 pontos de vantagem. "Há uma diferença de três pontos, o que significa que as pessoas estão buscando uma mudança. A Aliança é esta mudança", afirmou Leo Rubín, companheiro de chapa de Alegre, ao conhecer os resultados.
Nas eleições de domingo, que tiveram uma participação de 61,40% dos 4,2 milhões de eleitores, se decidiu também a composição do novo Congresso e governadores de 17 departamentos. Apesar de o Partido Colorado ratificar a hegemonia que quase ininterrumpidamente mantém há 70 anos, as pesquisas não asseguram uma maioria parlamentar.
"A diferença com que Abdo Benítez venceu pode causar problemas de governabilidade. O Partido Colorado tem que se reafirmar", comentou a analista Ati Snead, da empresa de pesquisas Ati Snead e Associados. Ao aceitar sua derrota, Alegre lançou uma advertência. "Acreditamos que a mudança no Paraguai é irreversível, mais cedo ou mais tarde", afirmou.
O Paraguai, que saiu de 35 anos de ditadura em 1989, vive sob a hegemonia do Partido Colorado desde 1947, com a única exceção do governo do ex-bispo e ex-presidente de esquerda Fernando Lugo (2008-2012), que sofreu impeachment um ano antes de completar seu mandato. "Os colorados têm vocação de poder. Têm um voto disciplinado e uma tradição de participar nos processos eleitoreis, além de um esquema de condução do funcionalismo que está intacto desde a época de Stroessner", explica Snead.
Mario Abdo Benítez é eleito presidente do Paraguai
Filho de secretário particular de Alfredo Stroeesner não obteve maioria no parlamento