Um vizinho da família é o principal suspeito do crime e uma operação de busca foi deflagrada pela polícia. A menina foi internada na unidade de terapia intensiva de um hospital da cidade na quarta-feira e os médicos afirmaram que seu estado era "crítico".
"A menina estava traumatizada quando foi trazida para nós. Havia ferimentos em seus lábios, bochechas e no tronco. Havia hematomas em seu pescoço", explicou o superintendente médico do hospital, R.N. Bansal. As lesões no pescoço sugeriam que o atacante pode ter tentado estrangulá-la, deixando-a sozinha no quarto para morrer, disse. Os médicos disseram que a região genital da menina havia sido mutilada e que objetos foram inseridos no local, causando ferimentos internos graves e infecções. "Nós estamos mantendo-a sob observação constante. As próximas horas serão críticas", disse Bansal. A menina foi encontrada depois que um pessoa que passava por perto a ouviu chorando e alertou a polícia.
Os pais da menina acusaram a polícia de se portar de forma insensível durante a investigação. "Eles estavam relutantes em registrar nossa queixa (de que ela estava desaparecida) quando os procuramos pela primeira vez. E depois a polícia nos disse para ficarmos contentes com o fato de que ela foi ao menos encontrada viva", disse o pai da menina.
Dezenas de manifestantes se reuniram nesta sexta-feira em frente ao hospital onde a criança foi internada e gritaram insultos contra a polícia por não investigar seu desaparecimento de forma adequada. Ativistas dos direitos das mulheres condenaram o ataque, dizendo que os ferimentos que a menina sofreu foram chocantes.
"Este incidente mostra que tipo de pessoas brutas temos na sociedade, que também é responsável por isso. Está cheia de pervertidos", disse Ranjana Kumari, do Centro de Pesquisa Social, sediado em Délhi.
Série de ataques
O incidente ocorre poucos meses após a Índia ter sido abalada pelo terrível estupro coletivo de uma estudante em Nova Délhi em um ônibus, no fim do ano passado, que desencadeou protestos em todo o país, além de debates sobre a situação das mulheres e das meninas e sua segurança. A mulher não resistiu aos ferimentos sofridos 13 dias após o ataque.
No dia 16 de dezembro, a jovem e seu namorado voltavam do cinema em um ônibus, onde seis homens a estupraram e a agrediram sexualmente com uma barra de ferro para depois lançá-la do veículo. O namorado, um engenheiro informático de 28 anos, também sofreu graves ferimentos depois de ser atacado e lançado na estrada.
Em uma entrevista, o pai da jovem expressou sua angústia após a divulgação de sua morte. "É muito doloroso. Não consegui voltar a entrar em seu quarto. Ela nasceu nesta casa. Seus livros, suas roupas, tudo está ali", disse. A família vive em um apartamento perto do aeroporto de Délhi, onde o pai trabalha depois de ter vendido suas escassas terras agrícolas para financiar os estudos da filha, segundo parentes.