Centenas de mesquitas na França convidam neste fim de semana a população para um "chá de fraternidade", em uma iniciativa de portas abertas que pretende defender um islã de "concórdia", em um país abalado pelos atentados jihadistas.
• Artigo: Charlie Hebdo, um ano depois
No primeiro aniversário dos ataques contra a revista satírica Charlie Hebdo, a polícia e um supermercado judaico, que deixaram 17 mortos, "nos perguntamos o que poderíamos fazer para reforçar a concórdia e a coesão nacionais", disse à agência de notícias AFP Anuar Kbibesh, presidente do Conselho Francês de Culto Muçulmano (CFCM). "Ao invés de voltar aos atos trágicos, nos pareceu mais útil celebrar o espírito de 11 de janeiro, ou seja, o das grandes manifestações cidadãs após os atentados", disse Kbibesh.
Ele completou que o objetivo da iniciativa "é estimular a convivência e o intercâmbio entre fieis de base e o conjunto de nossos cidadãos" e aproveitar para destacar "os verdadeiros valores do islã ante os clichês que o vinculam com a violência e o terrorismo".
Depois dos atentados de 13 de novembro de Paris, em que 130 pessoas morreram, a polícia realizou várias operações em locais de culto muçulmanos. Ao menos três foram fechados. "Acredito que é preciso superar esta fase de registros", afirmou o presidente do CFCM, insistindo no risco de "amálgamas e estigmatização".
O "chá da fraternidade" terá diversas modalidades: visitas guiadas, debates, oficinas de caligrafia, comparecimento às cinco orações diárias ou serviço de bebidas quentes e confeitaria. Grande parte das 2,5 mil mesquitas e salas de orações do país participarão na iniciativa, incluindo a Mesquita de Paris.
O evento acontece após um ano marcado pelo aumento dos atos antimuçulmanos na França, especialmente após os atentados de janeiro de 2015.
Mesquitas na França abrem as portas para "chá da fraternidade"
Iniciativa visa estimular convivência e destacar verdadeiros valores do islã