um porta-voz do sistema penitenciário em Huntsville, Texas, onde a execução foi realizada. Quase simultaneamente, o governo mexicano emitiu uma nota oficial lamentando em termos enérgicos a morte de seu cidadão.
De acordo com a nota do governo mexicano, a execução de Tamayo "viola a Convenção de Viena sobre Relações Consulares e contradiz a decisão da Corte Internacional de Justiça ditada no Caso Avena (2004)". "O Governo do México faz um apelo para que sejam tomadas ações efetivas e que seja evitada a execução de outras condenações em desacato à decisão Avena que prejudiquem o regime de assistência e proteção consular acordado entre os países", afirmou a nota distribuída pela chancelaria.
O caso de Tamayo provocou uma verdadeira chuva de apelos e intervenções diplomáticas e judiciais para tentar suspender a execução. Os advogados alegam que no momento de sua detenção, depois de assassinar o policial Guy Gaddis em Dallas, Texas, Tamayo quase não falava inglês e não foi autorizado a se comunicar com o consulado mexicano.
Fortes pressões diplomáticas
O caso de Tamayo era um dos 51 que a Corte Internacional de Justiça, em uma decisão conhecida como "Caso Avena", pediu aos Estados Unidos que submetessem à revisão, diante de evidências de que seus direitos consulares foram violados, de acordo com o princípio da Convenção de Viena.
A Convenção de 1963, ratificada por 175 países, incluindo os Estados Unidos, prevê que todo estrangeiro deve receber assistência de seus representantes consulares depois de ser informado de seus direitos. A União Europeia indicou nesta quinta-feira lamentar profundamente a execução do mexicano, embora tenha reconhecido a "séria natureza de seu crime", e afirmou que as autoridades americanas não respeitaram as obrigações internacionais, segundo um comunicado da chefe da diplomacia do bloco, Catherine Ashton.
Ashton indicou, citada no comunicado, que lamenta profundamente a execução de Tamayo, que, como "cidadão mexicano, não foi informado pelas autoridades do Texas por ocasião de sua prisão sobre seu direito de contactar o consulado do México, como estabelece a Convenção de Viena sobre Relações Consulares (...), o que constitui uma ruptura indiscutível das obrigações internacionais".
No estado de Morelos (centro do México), de onde Tamayo é proveniente, seus familiares e vizinhos formaram uma rede de oração durante a tarde de quarta-feira, que foi quebrada entre prantos quando sua execução foi informada.
Os grupos iniciaram suas orações na tarde à espera de um adiamento da sentença. Meia hora antes da execução, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia negado três recursos de apelação apresentados no último minuto pelos advogados de Tamayo, e com isso foram encerradas todas as possibilidades de que o caso fosse revisado.
Pouco antes da execução de Tamayo, seus advogados de defesa expressaram que é "vergonhoso e trágico que o senhor Tamayo pague o preço pelo fracasso do Congresso em aprovar uma legislação que implemente as decisões do caso Avena, da Corte Internacional de Justiça".