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Milei nega ter promovido polêmica criptomoeda e diz que agiu de “boa-fé”

Um tribunal federal foi designado nesta segunda-feira para centralizar as denúncias

A justiça federal da Argentina investigará se o presidente cometeu crime
A justiça federal da Argentina investigará se o presidente cometeu crime Foto : Pablo Porciuncula / AFP / CP Memória

O presidente da Argentina, Javier Milei, negou nesta segunda-feira (17) ter promovido a criptomoeda $LIBRA e garantiu agiu "de boa-fé” quando “difundiu” informação sobre ela, depois que veio à tona que ele está sendo investigado por este fato.

"Eu não a promovi; eu a difundi”, disse Milei ao canal TN, ao se referir a sua publicação na sexta-feira na rede X, que apagou pouco depois, na qual oferecia informação sobre a criptomoeda cuja queda causou perdas milionárias. Isso “é um problema entre particulares porque aqui o Estado não tem nenhum papel”, acrescentou.

A justiça federal da Argentina investigará se o presidente cometeu crime ao promover em suas redes sociais uma criptomoeda que colapsou horas após seu lançamento.

Milei se viu no centro da polêmica após anunciar na sexta-feira (14), na rede social X, um projeto para financiar empresas locais, incluindo um link que encaminhava para um contrato digital de compra de uma criptomoeda criada no mesmo dia.

Pouco depois, o ultraliberal apagou a mensagem, e a Presidência esclareceu que o mandatário não tinha relação com a iniciativa.

Nesse intervalo, o preço da criptomoeda $LIBRA subiu de centavos para 4.978 dólares (R$ 28,4 mil). O valor do ativo desabou em poucas horas, ocasionando perdas bilionárias.

Um tribunal federal foi designado nesta segunda-feira para centralizar as denúncias que pedem para apurar se Milei cometeu crimes como associação criminosa, fraude e descumprimento dos deveres de funcionário público, entre outros.

"Denunciamos que Milei fez parte de uma associação criminosa que organizou uma fraude com a criptomoeda $LIBRA, afetando simultaneamente mais de 40 mil pessoas com perdas superiores a 4 bilhões de dólares (cerca de R$ 23 bilhões)", afirmou em comunicado a organização social Observatório do Direito à Cidade, cujos advogados estão à frente de uma das ações judiciais.

Um escritório de advocacia informou, também nesta segunda-feira, que apresentou uma denúncia ao FBI e ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

"Estamos diante de uma trama de fraude em massa cometida não apenas contra nossos clientes, mas contra milhares de pessoas de diferentes jurisdições", entre elas muitos americanos, segundo a denúncia publicada pelo jornal La Nación, que aponta para Milei e outros quatro indivíduos.

Enquanto isso, deputados opositores da coalizão União pela Pátria (peronismo) anunciaram que promoverão o impeachment contra Milei no Congresso, e outras forças políticas pedem a instauração de uma comissão de investigação e a convocação do presidente para interrogá-lo.

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