O presidente da Argentina, Javier Milei, embarca nesta segunda-feira, rumo aos Estados Unidos em busca de investimentos para o setor tecnológico do seu país, marcando sua sétima viagem ao exterior em quase seis meses de governo, em uma semana crucial para o avanço de seu pacote de reformas no Congresso. Acompanhado pelo ministro da Economia, Luis Caputo, Milei realizará uma série de encontros no Vale do Silício, em San Francisco, onde se reunirá com representantes das principais empresas tecnológicas, incluindo a Open AI, Apple e Google.
O mandatário fará um discurso na quarta-feira na Universidade de Stanford e se encontrará na quinta-feira com o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, confirmou o porta-voz presidencial, Manuel Adorni. Esta será a quarta visita de Milei aos Estados Unidos e a sétima em sua agenda internacional, que até o momento não incluiu reuniões com chefes de Estado ou visitas a países vizinhos.
Sua última viagem a Madri, semanas atrás, resultou na maior crise diplomática com a Espanha, levando à retirada "definitiva" da embaixadora espanhola na Argentina, depois que Milei se recusou a pedir desculpas por chamar a esposa do chefe de Governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, de "mulher corrupta", durante um comício da extrema-direita naquele país.
Antes de retornar à Argentina na sexta-feira, Milei participará em El Salvador da cerimônia de posse do segundo mandato do presidente de direita Nayib Bukele, reeleito em fevereiro passado. A ausência de Milei da Argentina ocorre em uma semana crucial, na qual o Senado poderá definir a data do debate sobre o pacote de reformas proposto pelo Executivo, que já recebeu aprovação dos deputados.
As complexas negociações dos quase 300 artigos que compõem a lei e um pacote de reforma fiscal que a acompanha atrasaram os planos do governo de ter ambas as iniciativas aprovadas antes de 25 de maio, data em que o presidente havia convocado a assinatura de um pacto em Córdoba (centro), o que resultou em um ato simbólico. A viagem de Milei acontece em meio a rumores sobre a saída do chefe de Gabinete, Nicolás Posse, e possíveis mudanças na estrutura do ministério, incluindo a possível entrada do economista Federico Sturzenegger como assessor do governo.
O presidente argentino planeja retornar a Madri em 21 de junho para receber um prêmio de um instituto liberal. No meio de junho, Milei participará da reunião do G7 na Itália e, no dia 16, estará em Lucerna, na Suíça, para a cúpula sobre a paz convocada pelo presidente ucraniano, Volodimir Zelensky.
Desde que assumiu o cargo em 10 de dezembro, Milei desvalorizou a moeda nacional em 54% e implementou um drástico ajuste econômico que resultou em superávit fiscal no primeiro trimestre. Ele também conseguiu reduzir a inflação de 25,5% em dezembro (quando desvalorizou o peso) para 8,8% em abril, mas enfrenta uma profunda recessão em um contexto em que mais de 50% da população vive na pobreza.