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Milhares de colombianos protestam contra medidas sociais de Uribe

Elas restringem a autonomia dos médicos para elaborar seus receituários

Milhares de colombianos protestam contra medidas sociais de Uribe
Milhares de colombianos protestam contra medidas sociais de Uribe Foto : AFP
Milhares de colombianos manifestaram-se neste sábado em várias cidades da Colômbia e do exterior contra medidas decretadas pelo governo do presidente Álvaro Uribe para tentar evitar o colapso do sistema de saúde. Médicos e enfermeiros participaram do protesto, além de donas de casa, estudantes, sindicalistas, afirmou a líder estudantil Ginna Rojas, de Bogotá, integrante de um grupo que convocou o protesto pelo Facebook.

Os manifestantes rejeitam medidas decretadas por Uribe para tentar salvar o sistema de saúde no país, ameaçado pela crise econômica. Esses decretos com força de lei, ainda a serem examinados pela Corte Constitucional, restringem a autonomia dos médicos para elaborar seus receituários, ordenam que os usuários com mais recursos assumam tratamentos de alto custo e estabelecem mais impostos sobre o consumo de cerveja, bebidas em geral e tabaco.

Embora o governo assegure que a autonomia dos médicos não está em risco e que a medida visa a garantir a cobertura da saúde de pelo menos 41 milhões de pessoas, os manifestantes assinalaram que os decretos "ferem direitos essenciais e reforçam a privatização de um serviço básico". O presidente da Sociedade Colombiana de Cardiologia, Jaime Calderón, afirmou que as medidas do governo "vão claramente contra os pacientes e usuários da rede de saúde", e pediu à Justiça que as anule.

Uribe, que está no último dos quatro anos de seu segundo mandato e aguarda uma sentença da Corte Constitucional sobre a possibilidade de nova reeleição, advertiu neste sábado, na cidade de Fusagasugá, que o governo punirá as entidades que não prestarem um bom serviço, no contexto atual. Os manifestantes também pediram a destituição do ministro colombiano de Proteção Social, Diego Palacio, encarregado dos assuntos de saúde e trabalho, a quem acusam de ser o "responsável direto pelas medidas de emergência".

Vários pacientes com enfermidades terminais que participaram da marcha em Bogotá exibiram cartazes com os dizeres: "O governo de Uribe está acabando de nos matar".