Mesmo assim, milhares de egípcios se dirigem em massa à praça central de Tahrir, no Cairo, epicentro dos protestos nos últimos dias. O centro da capital é patrulhado por tropas do Exército, enquanto a polícia vigia outros pontos da cidade. O coração do Cairo vive um ambiente de euforia perante a ausência policial. Os militares, ao contrário das forças policiais, são bem recebidos pelos manifestantes, que não hesitam em tirar fotos com eles e subir nos tanques.
O governo do Egito apresentou neste sábado sua demissão, conforme já havia sido anunciado na noite de sexta-feira pelo presidente Hosni Mubarak. A informação é da televisão estatal egípcia.
Pelo menos 38 pessoas já morreram – e rede de televisão Al Jazeera já contabiliza 53 – nos cinco dias dos protestos convocados pela internet, para exigir o fim do regime de Mubarak. O presidente, que tem apoio das Forças Armadas e é um aliado vital dos Estados Unidos na região, controla o país com mão de ferro há 30 anos. Os protestos foram inspirados na chamada Revolução de Jasmim, o movimento popular que derrubou o governo da Tunísia, na última semana.
Nesta sexta-feira, Mubarak demitiu o primeiro-ministro Ahmad Fuad Mohieddin, numa tentativa de se manter no poder. Neste sábado foi anunciado um novo governo, liderado pelo novo chefe de governo, Ahmed Shafiq, antigo ministro da Aviação
Mubarak já vem sendo pressionado por reformas políticas há alguns anos. Ele chegou a convocar eleições, em 2011, para a Presidência. Para analistas, ele pretende passar o governo ao filho, Gamal Mubarak, de 47 anos. A oposição ao regime de Mubarak é dividida em dois grandes grupos. Um dos líderes é o diplomata Mohamed ElBaradei, ex-diretor da AIEA (agência nuclear da ONU) e Prêmio Nobel da Paz.
O outro grande movimento, que põe medo no Ocidente, é a Irmandade Muçulmana. O grupo fundamentalista islâmico, ligado ao Hamas palestino, foi posto na clandestinidade por Mubarak, sob pressão do Ocidente.
Governo bloqueou internet
Os protestos contra o governo são inéditos no país e têm sido convocados pela internet, por meio do Facebook e do Twitter. A rede chegou a ser bloqueada nesta sexta-feira. As redes telefônicas do país também foram fortemente afetadas. Celulares e internet têm sido usados por ativistas para organizar os protestos. Neste sábado, os meios de comunicação começaram a retornar à normalidade.
Egito é aliado ocidental em região turbulenta
Mesmo sendo um regime autoritário, o Egito é um dos principais aliados dos Estados Unidos e da Europa no mundo árabe. Além da Jordânia, o Egito é o único país árabe a reconhecer o Estado de Israel. Qualquer mudança brusca no regime de Mubarak pode tornar mais tensa a política já inflamada da região.
As informações são do portal R7.