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Milhares de guatemaltecos pedem saída do presidente por corrupção

Otto Pérez seria líder de quadrilha que burlava pagamento de impostos alfandegários

Milhares de guatemaltecos pedem saída do presidente por corrupção
Milhares de guatemaltecos pedem saída do presidente por corrupção Foto : Orlando Sierra / AFP / CP
Aos gritos de "Renuncia já!", milhares de pessoas, lideradas por universitários, marcharam nessa quinta-feira na capital da Guatemala para exigir a saída do presidente Otto Pérez, cujo governo se encontra cada vez mais debilitado e isolado devido a seu suposto envolvimento em fraudes na alfândega. "O presidente deve renunciar diante do pedido do povo", disse a professora da Universidade de San Carlos Miriam Flores. Vuvuzelas, bandas musicais e fogos de artifício foram usados durante a manifestação.

"Otto, a prisão te espera", "A corrupção está tirando nossas vidas", "Otto ladrão", diziam alguns dos cartazes que os manifestantes levavam durante a marcha que saiu da sede central da USAC, na periferia sul da capital, até o centro histórico, onde se unirá aos protestos de outros manifestantes que repudiam Pérez. "Esta é uma marcha histórica, o presidente é um covarde e já não representa a unidade nacional", declarou o estudante Iván Castillo, um dos milhares de indignados que se uniram à marcha.

Em entrevista à Rádio Sonora nesta quinta-feira, Pérez garantiu que não vai renunciar: "Seguirei à frente do nosso país, não vou fugir". No domingo passado, Pérez já havia manifestado a decisão de permanecer no cargo, em mensagem em rede nacional de rádio e TV.

O presidente foi relacionado na última sexta-feira a uma rede criminosa conhecida como "La Línea", que cobrava propina de empresários para burlar o pagamento de impostos alfandegários. A fraude foi revelada no dia 16 de abril pela Procuradoria e a Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala (CICIG), uma organização ligada à ONU.

Segundo a Procuradoria, Peréz é um dos líderes da quadrilha que montou o esquema junto da ex-vice-presidente Roxana Baldetti, que renunciou ao cargo e se encontra em prisão preventiva em um quartel militar da capital, de onde será transferida para uma prisão comum para mulheres.

Procuradoria Geral apoia manifestações


Ao pedido das ruas a favor da renúncia de Pérez se somaram nas últimas horas a Procuradoria Geral da Nação e a Controladoria Geral de Contas. Antes, a cúpula empresarial havia pedido a demissão do presidente. Enquanto as manifestações aconteciam na capital, outros grupos de manifestantes optaram por bloquear ao menos 10 rodovias no oeste e no norte do país.

Aos protestos se somaram várias empresas que, com o slogan de "greve nacional" contra a corrupção, optaram por fechar seus negócios, inclusive as redes transnacionais de fast food McDonald's e Domino's.

Congresso cogita suspender imunidadeCom tom enérgico e negando sua participação no esquema de corrupção, Pérez assegurou no domingo em uma mensagem à população que não renunciará ao cargo e que "dará a cara" para enfrentar a justiça, embora tenha passado cinco dias sem aparecer em público.

"Digo-lhes que não renunciarei e que com toda integridade enfrentarei e me sujeitarei aos processos da lei", afirmou Pérez em uma gravação transmitida por algumas estações de rádio e canais de televisão.

Renúncia é a recomendação


Diante da postura do presidente, a Procuradoria Geral, entidade que atua como representante legal do Estado, recomendou nesta quarta-feira a Pérez que renuncie para evitar que o país entre em um período de instabilidade política pelo descontentamento popular.

A PGN "recomenda ao senhor presidente constitucional da República da Guatemala apresentar sua renúncia ao cargo a fim de evitar a ingovernabilidade que traz como consequência a instabilidade da Nação", afirmou em um comunicado a instituição.

A Controladoria Geral de Contas da Guatemala (CGCG), entidade fiscalizadora dos gastos públicos, se somou à petição, ao afirmar que "para manter a paz social" e evitar "consequências insuspeitas", o presidente deve renunciar ao cargo.

Com sua ex-vice-presidente em prisão preventiva, como parte da investigação pela fraude, Pérez se encontra em uma encruzilhada legal depois que a Suprema Corte de Justiça aceitou iniciar, por pedido da Procuradoria e da Controladoria, o trâmite parlamentar para tirar-lhe a imunidade (um procedimento que na Guatemala denomina-se 'antejuicio') e assim poder submetê-lo à justiça.