A polícia de Moscou afirmou que havia 11 mil participantes e a oposição 30 mil. Um dos líderes da oposição liberal, Boris Nemtsov, expressou sua satisfação por este "círculo branco" em torno de Moscou. "Não vamos deixar Putin entrar no Kremlin", declarou, em uma entrevista ao canal de televisão privada Dojd, um dos poucos meios de comunicação a cobrir o protesto.
Alexei Navalny, um líder nacionalista carismático e militante anticorrupção, o ex-campeão mundial de xadrez Garry Kasparov, comprometido há anos com a oposição liberal russa, o escritor Boris Akunin e o líder de extrema-esquerda Sergei Udaltsov também participaram na manifestação. A polícia estava mobilizada em cada praça da cidade e helicópteros sobrevoavam a manifestação.
Segundo a agência Interfax, uma corrente humana paralela foi formada por manifestantes pró-Putin em uma parte da avenida. "Putin ama todo mundo!", afirmavam em seus cartazes enfeitados com um coração. Outra manifestação, convocada pelo partido opositor Iabloko, reuniu neste domingo cerca de 3 mil pessoas em São Petersburgo.
No sábado, milhares de russos também se manifestaram em São Petersburgo por uma "Rússia sem Putin". Entre 2 mil e 4 mil pessoas, segundo estimativas, se reuniram na praça Koniuschennaia, no centro da cidade. Kasparov, Udaltsov e o advogado Alexei Navalny, um líder nacionalista carismático e lutador contra a corrupção, lideravam o cortejo.
Uma década de Putin
A Rússia celebrará em 4 de março eleições presidenciais num clima de contestação sem precedentes desde a chegada de Putin ao poder, há uma década. Putin continua sendo o homem forte do país, depois de ter passado a presidência para Dimitri Medvedev por não poder se apresentar um terceiro mandato consecutivo. Os opositores pedem que se vote contra Putin nas eleições, mas, segundo as pesquisas, o ex-agente da KGB, que foi presidente de 2000 a 2008, deve conseguir a vitória no primeiro turno.
As pesquisas concedem a ele entre 50 e 66% das intenções de voto, o que torna muito provável sua eleição no primeiro turno.