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Milhares de sírios esperam sob chuva que Turquia abra fronteira

Observatório Sírio dos Direitos Humanos disse que situação é desesperadora

Milhares de sírios deixam a cidade de Aleppo
Milhares de sírios deixam a cidade de Aleppo Foto : Bulent Kilic / AFP / CP
Milhares de sírios esperavam, neste sábado, que a Turquia abrisse sua fronteira, após aguardarem durante dias sob chuva. A ONU estima que cerca de 20 mil pessoas aguardavam em Bab Al-Salama, do lado sírio da fronteira. Apesar disso, o ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, disse que Ancara segue fiel a sua "política de fronteiras abertas".

O avanço das tropas de Bashar Al-Assad, apoiadas pela aviação russa e por combatentes do Hezbollah libanês, consolida progressivamente suas posições ao norte da cidade de Aleppo. Na noite desta sexta, intensos bombardeios que devastaram a localidade de Anadan, controlada pelos rebeldes, permitiram a Damasco apertar o cerco em torno da grande metrópole do norte do país.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) informou que cerca de 40 mil civis deixaram a província de Aleppo e buscam refúgio na Turquia. O local é um bastião importante para as operações dos rebeldes e, segundo os especialistas, o avanço do governo coloca os insurgentes na pior posição desde o início do conflito. Depois de ter cortado a principal rota de fornecimento dos rebeldes em Aleppo, o exército começou a sitiar os rebeldes no leste da cidade, onde o OSDH estima que ainda haja 300 mil civis.

A guerra, que começou com um levante em 2011, fragmentou o país, dividido entre as zonas que o governo controla, os territórios nos quais opera o grupo extremista Estado Islâmico (EI) e as localidades sob o comando de outros grupos armados.

Situação dramática

"A situação dos deslocados é dramática", disse o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, em referência a que, após cerca de cinco anos de guerra, quase metade da população tenha sido obrigada a deixar seu lar. "As famílias dormem nos campos e em tendas, expostas ao frio e sem a presença de nenhuma ONG internacional. Ajudam-se entre si", explicou.

O escritório da Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA) lamentou que o acesso à população que necessita de assistência seja cada vez mais difícil. Desde segunda-feira, dezenas de milhares de pessoas das seis principais localidades nas mãos dos rebeldes no norte da Síria deixaram seus lares.

Na sexta-feira, muitos sírios refugiados na Turquia se aproximaram do posto de controle de Oncupinar, para terem notícias de seus familiares do outro lado, mas, hoje, a chuva os dissuadiu. A presença de caminhões que transportavam tendas até um campo de refugiados próximo à fronteira poderia ser um indício de que a Turquia se prepara para abrir a fronteira, no momento em que o país já acolhe cerca de 2,5 milhões de sírios.

O ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, reafirmou que seu país segue fiel a sua "política de fronteiras abertas" para os refugiados, sem detalhar quando serão autorizados a entrar os milhares de sírios retidos na fronteira turca. "Seguimos mantendo esta política de fronteiras abertas para as pessoas que fogem da agressão do regime (sírio) e dos bombardeios russos", declarou Cavusoglu ao sair de uma reunião com colegas europeus em Amsterdã.

Segundo Cavusoglu, "já acolhemos 5 mil, há entre 50 mil e 55 mil que estão a caminho e não podemos deixá-los sozinhos, porque, neste momento, há bombardeios aéreos e as forças do regime operam, com o apoio de milícias xiitas iranianas". "Nossas equipes estão prontas para dar a eles água e comida quando chegarem", declarou Ahme Lutfi Akar, presidente do Crescente Vermelho na Turquia.

O secretário de Estado americano, John Kerry, pediu à Rússia que suspenda os bombardeios, que "matam uma grande quantidade de mulheres e crianças", e que aplique um cessar-fogo. Embora Ancara considere absurdas as declarações da Rússia de que a Turquia prepara uma intervenção na Síria, o ministro das Relações Exteriores sírio, Walid Muallem, advertiu a seu vizinho que qualquer ação terrestre "será considerada uma agressão".

Por sua parte, o general Mohamed Ali Jafari, chefe dos Guardiões da Revolução iranianos, que combatem na Síria para apoiar o governo, afirmou que acredita que a Arábia Saudita "não se atreverá" a mandar suas tropas ao terreno, apesar das declarações emitidas esta semana por um comando militar do reino. No campo político, o delegado da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, informou aos embaixadores dos 15 países que compõem o Conselho de Segurança que as negociações indiretas entre o governo e alguns grupos de rebeldes foram suspensas até 25 de fevereiro.