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Milicianos xiitas assumem controle do complexo presidencial do Iêmen

Residência do chefe de Estado foi cercada e depósitos de armas foram saqueados

Especialistas não encontram pólvora nas mãos de promotor morto na Argentina
Especialistas não encontram pólvora nas mãos de promotor morto na Argentina Foto : Alejandro Pagni / AFP / CP
Milicianos xiitas assumiram nesta terça-feira o controle do complexo presidencial iemenita na capital Sanaa, e cercavam a residência do chefe de Estado, Abd Rabo Mansur Hadi, no que parece ser uma tentativa de golpe de Estado."Os milicianos huthis entraram no complexo e estão saqueando os depósitos de armas", declarou a fonte militar.

Um dirigente huthi, Ali al-Bukhaiti, confirmou no Facebook que o movimento xiita Ansaruallah dominou o complexo presidencial.Enquanto isto, milicianos enfrentavam tropas do governo nos arredores da residência do presidente Mansur Hadi, no oeste de Sanaa, onde ao menos dois militares morreram, segundo fontes médicas. A ministra da Informação, Nadia Sakkaf, revelou no Twitter que a partir da tarde o presidente era alvo de um ataque de milicianos xiitas "que querem derrubar o regime".Os confrontos foram deflagrados pela rejeição dos huthis ao projeto de Constituição que divide o país em seis regiões e priva os huthis do acesso ao mar.

A milícia Ansaruallah, que tenta há meses ampliar sua influência no Iêmen, assumiu o controle de grande parte de Sanaa a partir de setembro passado. Segundo testemunhas, a intensidade dos combates em torno da residência de Hadi diminuiu no início na noite, e ao que parece, o presidente permanece no prédio. Abd Rabbo Mansur Hadi raramente utiliza o palácio presidencial.

Os milicianos armados bloqueiam as entradas leste, oeste e sul do palácio republicano, que é a residência do chefe de governo, Khaled Bahah, informou uma autoridade iemenita. Os milicianos também fecharam duas avenidas que levam à residência do primeiro-ministro, localizada no centro da capital.O comboio do primeiro-ministro sofreu um ataque dos milicianos xiitas na segunda-feira, quanto os combates se concentravam nos arredores do palácio presidencial, localizado no sul de Sanaa.

Mansur Hadi tenta reunir todas as forças políticas no Iêmen para estabelecer, de acordo com um porta-voz oficial, "um roteiro para acabar com a violência". Os combates de segunda-feira deixaram ao menos 9 mortos e 67 feridos, de acordo com o ministério da Saúde. Em Nova York, o Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou nesta terça o ataque contra o palácio e a residência presidencial e manifestou seu apoio ao presidente Mansur Hadi.
Em uma resolução, o Conselho destacou que Hadi é a "autoridade legítima" e pediu o "apoio de todos os partidos e atores políticos" do Iêmen ao presidente.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, solicitou mais cedo que todas as facções armadas no Iêmen cessem suas hostilidades, depois que milícias xiitas se apoderaram do complexo presidencial em Sanaa.Desde a revolta popular de 2011, que levou à saída de Saleh, o poder central foi marginalizado por Ansaruallah e pelos jihadistas da Al-Qaeda da Península Arábica, que ampliaram sua influência conquistando territórios.

Em novembro passado, o Conselho impôs sanções contra Saleh e dois comandantes huthis por ameaçar a paz no país mais pobre da Península Arábica. O Iêmen, um país que faz fronteira com a Arábia Saudita, é um ponto estratégico no tráfego do petróleo que parte do Golfo, mas sofre há vários meses uma onda de violência que ameaça
mergulhar o país no caos.